O FALSO “TRILEMA”

O jornalista CELSO MING, do Estadão – quem melhor, a meu ver, tem acompanhado de perto as peripécias atuais da área econômica do governo – resume, hoje, no artigo “O trilema de Lula”, as opções do presidente, que se encontraria diante de um confronto mais ou menos aberto entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda quanto aos rumos do sistema financeiro do Brasil nos próximos anos.

A grande questão, porém, é que não há grandes dilemas a dirimir ou, dito de outra forma, eles não têm a configuração apenas econômica que estão querendo lhes dar porque eles, enfim, são jurídico institucionais, e não exclusivamente financeiros.

O Brasil, em decorrência dos esforços da equipe do ex-ministro PEDRO MALAN, seguidos de perto pelo ex-ministro PALOCCI, e de HENRIQUE MEIRELLES e seus antecessores no Banco Central, fez, e está fazendo, o que deve ser feito( tão diferentemente do que ocorreu, por exemplo, com a administração republicana dos EUA nos últimos anos. )

Não há mágica alguma a fazer, a esta altura, porque tudo praticamente foi feito, ou, pelo menos, encaminhado, na direção correta.

O que está faltando, ao contrário das inovações heterodoxas que estão de volta, é, apenas, concluir e arrematar, ortodoxamente, o Plano Real e suas medidas complementares, extirpando, por completo, a indexação, que ainda remanesce no sistema financeiro, no Poder Judiciário, e está voltando, a pleno vapor, no sistema financeiro da habitação.

Isso – embora para muitos possa parecer uma medida difícil e corajosa – nada tem de choque, e não depende de nenhum pacote: pode provocar chiadeiras e síndromes de abstinência em alguns setores, mas nada que não se cure ( perdoe-se-nos a metáfora ) com o tempo.

O presidente Lula deve aproveitar, nessa área, construtivamente, o prestígio político imenso que tanto se esforçou para obter e eliminar todo e qualquer remanescente da correção monetária, instaurando uma política de que eu chamaria de “valor”, que não vai acabar com as dificuldades com que ainda vamos ter que nos defrontar durante anos, mas vai permitir ao Brasil superar os dilemas e trilemas atuais, se de fato existirem, com muito mais facilidade.


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