PALPITE E PROPAGANDA

O historiador inglês TIMOTHY GARTON ASH, no artigo “Europa deve agradecimento a Bush pai”, originalmente publicado no GUARDIAN e traduzido na edição de hoje do Estadão, diz, a certa altura “considero a guerra contra a Al-Qaeda e o Taleban plenamente justificada”, reeditando a velha noção de “guerra justa” formulada por Santo Agostinho no século IV, que o tempo já se encarregara de desacreditar.

O problema da noção de guerra justa é o seu insuperável subjetivismo, sendo muito provável que os Talebans igualmente achem justa a sua luta contra a OTAN.

Isso não quer dizer que não haja um diferença muito importante, do ponto de vista jurídico, entre as guerras do Afeganistão e do Iraque, uma vez que a primeira foi referendada pela ONU e a segunda, ao contrário, foi um ato unilateral dos EUA, contrário às recomendações internacionais.

Isso, porém, não justifica dizer que se trata de uma guerra justa, como se atreveu a fazer o colunista do GUARDIAN , dando um palpite que vale, em última análise, como propaganda contra a paz, que ele devia ter tido o cuidado de não veicular.

O que é uma guerra justa ? As guerras mundiais do século XX foram justas ? A guerra da Coréia foi justa ? A do Vietnã foi ?

É tão mais fácil encontrar guerras injustas, que muitos autores atuais afirmam exatamente o contrário do que pensa ASH, isto é, que só há guerras injustas ou, como diz KELSEN:

“Há verdades tão evidentes por si mesmas que devem ser proclamadas uma vez por outra para que não caiam no esquecimento. Uma dessas verdades é que a guerra é um assassinato em massa, a maior desgraça de nossa cultura, e que assegurar a paz mundial é nossa tarefa política principal…”


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