AS VANTAGENS DO BRASIL: sob uma ótica de oposição

O documento divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional tem um nome sugestivo: “Relatório de Estabilidade Financeira Global” e exerce função semelhante à que, no século XIX, era desempenhada pelo chamado “sistema do padrão ouro”, pois consiste numa substituição do antigo princípio do valor intrínseco pelo atual princípio da estabilidade dos preços.

Com efeito, depois que todo o dinheiro do mundo se tornou papel moeda, o padrão ouro deixou de guiar a política monetária dos Bancos Centrais, que hoje dirigem as finanças de seus respectivos Estados com fundamento num princípio jurídico-econômico relevantíssimo: a estabilidade dos preços.

Até a primeira metade do século XX o Brasil tentou, sem sucesso, ingressar no clube dos países ricos, que se orientavam segundo a política do padrão ouro. Agora, porém, depois do Plano Real, estamos conseguindo obter o que antes, debalde, por outros meios, não conseguimos : superar a instabilidade financeira com a instituição de mecanismos ( como das metas de inflação, por exemplo, e tantos outros ) que asseguram a estabilidade dos preços.

A situação atual do Brasil, portanto, neste ponto, melhorou muito, pois há países emergentes, como a Argentina e a Venezuela – para nos limitarmos a alguns bem próximos de nós – que ainda vivem uma falta de estabilidade econômica acentuada, que prejudica o avanço das suas desejadas ( como as nossas ) políticas sociais. Não podemos perder esta vantagem, o que exige que avancemos ainda mais na consecução das chamadas “medidas complementares ao Plano Real”, adotadas pelo ministro MALAN, que ficaram no meio do caminho.

Segundo o Estadão de hoje, o Relatório do FMI menciona que a “valorização de várias moedas, nos últimos cinco anos, resulta das aplicações em busca de juros altos. O Japão e a Suiça foram, durante algum tempo, as fontes de recursos baratos para essas operações, mas dinheiro levantado nos Estados Unidos também tem sido usado no jogo especulativo, depois da grande redução dos juros americanos. Brasil, Colômbia, Islândia, Indonésia, Nova Zelândia, Turquia e África do Sul são citados como destinos desses capitais.” Por isso, advertem os autores do Relatório, “a valorização do real e de outras moedas poderá ser fator de vulnerabilidade.”

Ainda aqui, contudo, o Brasil tem uma vantagem sobre os demais países que estão sofrendo o ataque especulativo, que ontem, entre nós, trouxe o dólar, de novo, para um nível abaixo do R$ 1,70. É que não é difícil fazer os ajustes que têm que ser feitos para que a moeda brasileira se torne ainda mais estável. Basta ter “vontade política”, e esperar que os políticos de oposição abandonem esse blá, blá, blá em que eles estão mergulhados e comecem a cobrar do governo, do Banco Central e do Ministério da Fazenda, que façam o que deve ser feito para que as taxas de juros de de câmbio, já exorbitantes, não aumentem.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.