ZERO VÍRGULA VINTE E CINCO POR CENTO

Segundo a manchete de primeira página de hoje do GLOBO – um pouco sensacionalista, seguindo o estilo atual do jornal – o presidente Lula já admite que a taxa de juros voltará a subir na próxima reunião do COPOM de quarta feira, sem que isso, contudo, cause “transtorno à economia brasileira”.

O relevante na declaração do presidente, à qual assisti, ontem, na televisão, não é que ele admita a elevação da taxa e, sim, ter ele praticamente adiantado que o aumento vai ser de 0,25%

De qualquer forma, o Banco Central, a meu ver, não devia aumentar a taxa de juros , especialmente num momento em que os EUA e o Reino Unido baixaram as suas, e o Banco Central Europeu as manteve. Agindo assim, ele estará mexendo, indiretamente, com o câmbio e demostrando que está preso a um círculo vicioso.

O aumento dos juros no Brasil não é mais eficaz contra a inflação, pois as suas taxas são tão altas que não podem ser consideradas, propriamente, juros ordinários, atuando, isso sim, como uma espécie de usura oficial.

Além disso, a taxa de juros, como se fosse uma correção monetária, é compulsória e se reflete em outros preços que estão indexados à SELIC.

É verdade que 0,25% talvez não sejam mesmo, como afirma o presidente da República, o fim do mundo. O que ocorrerá, contudo, depois ?

O Banco Central precisa sair da camisa de força em que se encontra. Ele é o guardião da moeda e não dos juros. Por isso, se não houver um complemento adequado do Plano Real, que até hoje não houve ( embora já tenham passado quase 15 anos da instituição do nosso novo padrão ) não vamos conseguir ter o controle efetivo da política monetária, e continuaremos a girar em torno do falso (?) dilema das taxas de juros versus as taxas de câmbio.


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