O QUE ESTÁ ERRADO COM OS JUROS ?

A televisão mostrou, ontem a noite, um grupo de estudantes reunidos em Brasília, reclamando contra as taxas de juros. Quando o movimento estudantil começa a protestar está, em geral, envolvida uma boa causa e há algo errado a corrigir. Cumpre-nos então refletir sobre o que está havendo de errado com os juros brasileiros.

Que as nossas taxas de juros são as maiores do mundo todos concordam. A questão é indagar porque isso ocorre, se a nossa Economia vai bem, o país está crescendo e tem uma invejável estabilidade social e política.

O problema fundamental, a meu ver, é que as atuais taxas de juros, no Brasil, não são as mesmas taxas juros que há no resto do mundo: elas são as herdeiras da Taxa Referencial ( TR ) inventada por Ibrahim Eris no tempo do Plano Collor II.

Para o investidor não faz muita diferença prática pois ele se considera diante de duas modalidades de fixação da taxa: pré, e pós. Teoricamente, porém, há uma abismo conceitual que não está sendo sendo considerado.

A principal característica dos juros é eles serem um acessório do principal sujeito à garantia do ato jurídico perfeito, diversamente do que ocorre com a indexação, que não é um acessório, e sim fator de alteração do valor do principal depois dele definitivamente constituído.

O que aproxima os dois fenômenos- taxa de juros e fator de indexação – é, apenas, que, ambos, levam em conta o fato do transcurso do tempo mas, além disso, eles não têm nada em comum. Nós também levamos em conta o transcurso do tempo e nem por isso somos iguais aos juros ou à indexação

O Banco Central brasileiro, ao dar uma demonstração, ontem, de que não percebe essas diferenças provocou um dano à sua imagem, e perdeu parte da credibilidade que vinha adquirindo ao longo dos últimos anos e, provavelmente, vai gerar um aumento e não uma redução da inflação.


3 comentárioss até agora

  1. Flavio Jansen abril 18, 2008 2:50 pm

    Neste caso, tenho que discordar do blogueiro. É sempre fácil criticar a alta taxa de juros e do Banco Central, afinal todas prefereriam taxas mais amenas.
    No entanto, apesar de meus conhecimentos limitados de macro-economia, parece-me que o Banco Central desde 1999 tem conseguido manter a economia em um trilho seguro e evitado os sobressaltos de crescimento e de inflação que foram a marca característica do Brasil até 1994. E a taxa de juros, apesar de declinante no tempo, ainda assim uma das maiores do mundo, tem sido um componente desta política que tem se mostrado bem sucedida.
    Eu acredito que o caminho para taxas menores passa necessariamente por uma redução da dívida pública (fala-se em dívida líquida de 42% do PIB, mas a dívida bruta é de 72%) e redução dos gastos públicos.

  2. letacio abril 18, 2008 4:45 pm

    1 -Concordo em que o Banco Central tem acertado mas acho que ele não é infalível e que, neste caso, ele errou; 2 – Concordo em que a dívida pública é imensa. Ele é, contudo, indexada à SELIC e o aumento desta última vai redundar numa elevação da primeira; 3 – Ouço falar em redução dos gastos públicos, como se fosse uma ladainha, há anos. É preciso apontar, concretamente, que gastos devem ser reduzidos. Se for para pagar mal aos servidores públicos sou contra. Se for para não haver Bolsa Família sou também contra. Mas se for para pagar menos juros da dívida pública, sou a favor. É para isso, aliás, que o Congresso vota um Orçamento anual.

  3. Flavio Jansen abril 18, 2008 6:23 pm

    Reduzir gastos publicos como percentual do PIB. Não precisa reduzir pagamentos e sim não aumentar os valores na mesma proporção do aumento da arrecadação. Mantê-los constante já resolveria.

    Quanto aos juros, reduzindo a dívida, reduziria os juros independentemente das taxas praticadas. Basta segurar um pouco as despesas e buscar uma dívida menor como percentual do PIB.

    Aprendi que não é sacrilégio economizar e isto pode ser feito sem necessariamente cortar salários.

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