O NOME DA ROSA

Depois de constatar que o seu inimigo era, na verdade, apenas o nome Montechio, Julieta, na peça de SHAKESPEARE, indaga o seguinte: “What’s in a name ? That which we call a rose/ By other name would smell as sweet” o que, traduzido livremente, significa: “ O que há num nome ? O que chamamos de rosa com outro nome teria um perfume igualmente doce.”

Isso pode ser verdade na área poética, embora talvez não seja tanto no campo político social, como se pode depreender do fato de o presidente recém eleito do STF ter se referido, numa entrevista aos jornais e no seu discurso de posse a dois temas que não teriam tanta repercussão se não fossem as suas denominações: os chamados escândalos do dossiê e do mensalão.

“Mensalão” é uma denominação terrível, o que não acontece com “dossiê” que parte da opinião pública, segundo o governador JOSÉ SERRA, acha que é uma espécie de doce.

Outro nome assustador, nessa mesma linha, é “Sanguessuga”: cada vez que passo em frente a um educandário que se localiza próximo à minha casa lembro-me de um antigo senador, seu proprietário, que ficou marcado depois de ter sido acusado de sanguessuga.

Como se vê, embora não se chamando rosa a flor possa manter o seu aroma, como diz o bardo, um nome bem achado, para designar um fato político em condições de se tornar escandaloso, já vale por cinqüenta por cento do sucesso da campanha.


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