SEM ENTENDER O SEU PAPEL

O Ministro da Fazenda GUIDO MANTEGA está tentando minimizar o risco de inflação futura no Brasil: (a) atribuindo-a ao “feijãozinho”; (b) dizendo que há outros países com inflação mais alta e (c) procurando tratar o assunto com despreocupação, com o que comete, pelo menos, três equívocos.

Ao contrário do que pensa o ministro não só o Banco Central, mas todos nós – principalmente ele , e sua equipe – devemos ficar muito preocupados quando vemos o IGP-M ter, em 12 meses, uma alta de quase 10%.

O fato de outros países apresentarem variação maior dos índices de preços não nos isenta de sustos, pois esses países não tiveram, como nós, uma hiperinflação no final do século passado, nem conviveram, durante 30 anos, com a correção monetária compulsória e generalizada, não têm os juros mais altos do mundo( e nada parecido com a SELIC que é uma espécie de frankestein, meio taxa de juros meio indexação) e, por último, não estão com a sua moeda nacional submetida a especulação financeira internacional há cerca de dois anos contínuos.

Será que o ministro Mantega já imaginou o problemão que o presidente Lula vai ter se a inflação – como tudo indica – começar a elevar-se e as pessoas voltarem a recorrer à indexação de seus contratos utilizando-se dos orifícios que foram deixados abertos pelo Plano Real ?

A política monetária contemporânea não pode depender, apenas, dos Bancos Centrais, e não tem o menor sentido o ministro da Fazenda – um dos principais responsáveis pela estabilidade dos preços – querer dar uma de bonzinho, deixando com o presidente Henrique Meirelles todo o ônus de se vestir de bicho papão.

Esse ministro da Fazenda parece não estar entendendo mesmo o seu papel !


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