AINDA A MOEDA ÚNICA DO MERCOSUL

Não é fácil transformar em realidade a idéia de instituir uma moeda única regional, supra nacional – como o EURO – na América do Sul, mas não devemos desistir desse propósito, porque ele deverá, afinal, concretizar-se, mesmo porque trata-se de uma tendência que se impõe, cada vez mais, neste século de globalização financeira.

Até mesmo o primeiro passo da união monetária, a ser dado pelo Brasil e pela Argentina, é difícil. Agora, por exemplo, o nosso país está eufórico, tendo obtido o grau de investimento de uma agência de risco internacional, está com a moeda supervalorizada, apoiado num Banco Central sério, que faz o que pode para evitar a inflação, enquanto o país vizinho está tendo trabalho para esconder, ao que consta, os verdadeiros índices de níveis de preços, enfrenta protestos inconseqüentes de produtores rurais e troca, como nós fazíamos, de ministros da Fazenda com freqüência, correndo , portanto, vários riscos.

Algum progresso, contudo, tem surgido nesse caminho, como esclareceu o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, na palestra que proferiu, ontem, durante um curso para diplomatas da América do Sul, promovido pela Fundação Alexandre Gusmão, do Itamaraty.

Segundo Pinheiro Guimarães o uso das moedas brasileira e argentina no comércio bilateral “já funcionará no meio do ano”. Além disso, está sendo implantado o Banco do Sul, e o Convênio de Créditos Recíprocos ( CCR ) está se recuperando tendo ocorrido um reconhecimento das assimetrias.

O mundo todo se ressente, hoje, da ausência de controles globais de capitais, e as reuniões dos diversos Bancos Centrais nacionais, em associações informais, não é suficiente para a instauração de uma eficaz ordem financeira internacional.

É inimaginável a criação imediata de um Banco Central Internacional, o que pode ser uma sugestão de que esse movimento de regulação e fiscalização global das moedas deva passar pelo funcionamento, prévio, de Bancos Centrais regionais.

O primeiro desses Bancos Centrais regionais – isto é, o segundo, porque já existe o Banco Central Europeu – bem que poderia ser o Brasil/Argentino !


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