MATANÇA OFICIAL E OFICIOSA

A população do Rio de Janeiro está lamentando o assassinato, provavelmente por uma “milícia”, do delegado ALCIDES IANTORNO, que era conhecido – e temido – por enfrentar os membros da chamada “polícia mineira” ( assim chamados os grupamentos compostos de policiais civis e militares que, privadamente, executam bandidos, a pretexto de dar segurança a certas pessoas ou atividades).

Terá essa matança “oficiosa” – porque praticada pela milícia – alguma relação com as atuais “mortes em confronto” ? Haverá diferença entre o assassinato oficioso, promovido pela polícia mineira, e o oficial, promovido, hoje em dia, pelas polícias regulares do Estado do Rio de Janeiro ?

A meu ver, infelizmente, não há. Muita gente bem intencionada aplaude a execução sumária de bandidos; e é a favor, também, da segurança conferida pelas milícias. Esse clima de matança, porém, sai, facilmente, do controle das autoridades, e pode gerar assassinatos como este do Delegado IANTORNO.

Várias razões levam os policiais e as milícias a matarem, especialmente num país como o nosso que cultiva essa tradição de violência ilegal desde os tempos da escravidão.

Há uma cultura arraigada onde os procedimentos de matança têm, inclusive, denominações eufêmicas – como política de enfrentamento, autos de resistência, etc – destinadas a dar cobertura aos criminosos evitar que os responsáveis sofram processos administrativos e penais.

Na gestão do atual governo do Estado as mortes causadas pelo “confronto” estão atingindo o seu ápice, segundo noticia o Estadão de hoje.

Isso significa que as autoridades do Rio de Janeiro, a quem caberia tentar reverter o quadro de violência policial, estão, antes, estimulando o seu agravamento, incentivando, talvez, por tabela, as agressões oficiosas, como essa da qual resultou a morte de um delegado, contrário às milícias.

Um problema, portanto, que já era grande – diante da tradição de violência das polícias do Rio –está tornando-se cada vez maior, por força da política de “enfrentamento” posta em vigor pelas atuais autoridades responsáveis pela segurança no Estado, o que vai ser cada vez mais difícil reverter no futuro.


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