A “COCEIRA” DA INFLAÇÃO

O presidente LULA, no programa de rádio “Café com o Presidente”, pediu a todos os brasileiros que ajudem a evitar a elevação da inflação, dizendo:

“É importante que o povo entenda que a inflação é uma obrigação de todo brasileiro cuidar para que não aconteça. O Brasil precisa manter um equilíbrio entre sua capacidade produtiva e sua capacidade de ofertar os produtos”.

A fala do presidente merece todo o apoio mas suscita algumas considerações: a primeira delas que a explicação para a inflação, no nosso caso, não se limita ao eventual desequilíbrio entre a capacidade de produção e de ofertar os produtos, pois há um outro fator importante responsável pela perda de eficácia interna da nossa moeda nacional, que consiste na preservação, pelo Plano Real, de resíduos da correção monetária, especialmente nos setores tributário, financeiro e da habitação.

O risco, portanto, não é só a inflação, mas, principalmente, da indexação que ela acarretará, tratando-se, ambos, de fatores adversos à estratégia de estabilidade de preços que devemos perseguir.

Dizem os autores clássicos que a inflação, para ser eficientemente combatida, tem que ser sentida por todos, como ocorre nas epidemias de sarna, cuja coceira atinge indiscriminadamente a população.

O nosso vício indexatório, porém – pois, como dizia o ex ministro MALAN, o brasileiro é um homus indexatus – está levando certos setores a descuidar do aumento de preços, achando que isso, em última análise, os beneficiará.

Todo o povo brasileiro, portanto, como pede LULA, deve cuidar para que a inflação não volte, mas cabe ao governo, além das medidas pontuais que está tomando, impedir que a esperança da indexação desestimule certos atores econômicos importantes a lutar contra o aumento de preços, para o que é necessário eliminar, completamente, não só a taxa SELIC, como os remanescentes da correção monetária que ainda estão por aí, como se fossem urubus esperando a carniça.


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