POLÍTICA MONETÁRIA DE DIREITA

O presidente do Banco Central, HENRIQUE MEIRELLES, com base numa idéia do falecido senador JEFFERSON PEREZ – de que “política monetária frouxa é política monetária de direita, porque corrói o salário do trabalhador” – afirmou a uma delegação de petistas que a busca da estabilidade dos preços é uma característica dos governos de esquerda, que, “historicamente”, são os que “mais querem segurar a inflação”.

Essa constatação é muito verdadeira no Brasil que viveu trinta anos sob um regime de correção monetária automática e compulsória imposta, em 1964, por uma ditadura militar de direita que foi a extremo de transformar, de fato, a inflação em “moeda”, instituindo indexadores oficiais (como a ORTN, a OTN, a UPC, a UFIR, e dezenas de outros ) como normas capazes de “corrigir” o valor da própria unidade monetária nacional.

Através da correção monetária, e da utilização de índices e freqüências de reajustamentos diversos, os governos militares impuseram, com auxílio da inflação, uma transferência de renda fortíssima em favor das classes mais abastadas, empobrecendo os trabalhadores, o que começou a reverter, apenas, no governo SARNEY, com a edição do Plano Cruzado.

Os grandes partidos de esquerda, e de centro esquerda – PMDB, PSDB e PT – uniram-se para implantar o Plano Real, e a Desindexação da Economia, e conquistaram a atual estabilidade de preços, que tornou o Brasil um país respeitado junto à comunidade financeira internacional.

O presidente LULA está demonstrando ter a consciência de que as tentativas de aumentar a inflação visam minar o seu governo e buscam o retorno à “indexflação” – o pior que existe em matéria de tornar os preços instáveis, pois retira do governo a capacidade de por em prática qualquer política de controle monetário.

Muito oportuna, portanto, a declaração do presidente do Banco Central: a luta contra a inflação – e a indexação – deve ser uma das principais bandeiras da esquerda brasileira.


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