UM ARTIGO DEVASTADOR

É devastador o artigo de ontem de ELIO GASPARI no GLOBO intitulado “O homem da ONU ganhou um Caveirão” , que evidencia, sem dúvida, a necessidade premente de substituição integral da atual cúpula da segurança no Rio de Janeiro.

Se olharmos a política estadual de segurança através da ótica do homem do povo tenderemos a ver, de forma simplificada, de um lado, o crime como problema e, de outro, a polícia como solução. No Estado do Rio de Janeiro, porém,a nossa polícia é muito mais problema do que solução, pois ela e o crime se entrelaçam tão profundamente, que não chegamos a saber quem é quem. Isso mostra que, antes de exigir que a polícia fluminense resolva, a curto prazo, os danos causados pelos criminosos a população vai ter que esperar um pouco e o governo estadual precisa se debruçar sobre a reforma das atuais polícias civil e militar do Estado.

A causa remota da má situação atual dos aparelhos policiais do Rio situa-se, a meu ver, no ano de 1961, quando a capital federal foi transferida para Brasília, e houve uma tentativa de unificação funcional das corporações federais e municipais que aqui trabalhavam na época de Distrito Federal. A situação confusa que foi então criada agravou-se, poucos anos depois, com a fusão dessas policias mal unificadas com as polícias do antigo Estado do Rio, que eram, sabidamente, uma das piores de todo o país – isso sem falar do estrago provocado pela ditadura militar de 1964, que usou as forças de segurança locais policiais na caça aos inimigos do regime.

A falta de controle da política segurança estadual passou a constituir-se, com o tempo, num fator autônomo de desorganização do sistema, prejudicado pela ação de maus secretários e governadores, especialmente, como hoje se vê, de um ex- governador que se tornou secretário de segurança para assegurar, aparentemente, os esquemas ilegais que tinham sido montados na sua gestão no governo

A atual cúpula policial do governo do Estado deve ser substituída por outra, subordinada a um Conselho que englobe as chefias dos órgãos da área de Justiça, do MP, da Defensoria, da Procuradoria do Estado, da Defesa Civil e bombeiros e, especialmente, o Tribunal de Justiça. O novo Secretário, por seu turno, deve ter experiência de organização do serviço público e inequívoco compromisso com os Direitos Humanos.

Como tudo isso vai exigir algum tempo a população do Rio de janeiro vai ter que esperar um pouco até que comecem a cessar as suas angústias justificadamente causadas pela violência do tráfico e das milícias em nosso Estado, sabendo que se nada for feito no sentido de reestruturar as polícias a situação só vai piorar.


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