FALTA DE CORAGEM DAS AUTORIDADES MONETÁRIAS

Num artigo de responsabilidade da redação, sob o título “Ciclo mais longo de alta da Selic”, o Estadão de hoje, a propósito do aumento de 0,5% da taxa básica de juros pelo COPOM, diz o seguinte:

“… as autoridades monetárias são vítimas de um passado em que não houve coragem para se reduzir bem mais uma taxa fixada em tempos de hiperinflação”.

Até pouco tempo atrás ainda fingíamos que não tínhamos tido uma hiperinflação, mas esse passado vergonhoso começou a ser enfrentado recentemente.

A nossa hiperinflação, que foi uma das maiores – senão a maior – da história econômica mundial de todos os tempos, foi um legado da política financeira posta em prática pela ditadura militar de 1964, que repousava na correção monetária: situação que durou cerca de 30 anos, e só acabou com a edição do Plano Real e a Lei de Desindexação da Economia.

Os resíduos que ela deixou são, em grande parte, os responsáveis pela nossas altas ( e provavelmente desnecessárias ) taxas de juros.

A discussão que deve ser travada agora – e o artigo do Estadão caminha nessa direção – é sobre o corajoso papel a ser desempenhado, daqui para diante, pelas autoridades monetárias brasileiras.

O nosso Banco Central – que angariou um enorme prestígio nacional e internacional – não é responsável, apenas, pelos juros: ele é responsável pela moeda nacional. Ou, em outras palavras – como sugere o artigo do Estadão – não basta que o Banco Central fique aumentando os juros para conter a inflação.

É preciso que ele reveja todos os procedimentos que foram sendo implantados em tempos de inflação e de hiperinflação, e que continuam presentes na nossa Economia, da qual não foram extirpados por preguiça, ou falta de coragem.

É tempo de começar a fazer isso.


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