A VENEZUELA E A DEMOCRACIA

São do jornalista SIMON ROMERO, em artigo do NYT, intitulado “Recuos dão mostra da capacidade chavista de reinventar-se”, publicado hoje no Estadão, as seguintes constatações:

“E, apesar de CHÁVEZ ter sido acusado de falar como autocrata e tentar governar sozinho, seus atos recentes confirmam que a democracia Venezuela, embora às vezes pareça frágil, ainda serve como freio aos desejos do presidente.”

É a democracia da Venezuela, portanto, que explica a atual “reviravolta de Chávez” – expressão que o mesmo jornal emprega num editorial em que tenta entender as recentes mudanças nos rumos das declarações do presidente venezuelano.

Hoje em dia, salvo em Cuba, não há mais governos autocráticos na América Latina, embora houvesse muitos, numa época, que, em nome do anticomunismo, com a ajuda dos EUA, foram aqui implantados, inclusive as ditaduras militares do Brasil , do Chile e da Argentina

Tem razão, por isso, o presidente Chávez, quando declarou aos rebeldes colombianos:

“Os guerrilheiros das FARC devem saber uma coisa: se converteram numa desculpa do império para ameaçar a todos nós; no dia em que se fizer a paz na Colômbia acabará a desculpa do império.”

O intervencionismo americano tem sido, de fato, nessas últimas décadas, o principal fator de instabilidade na América Latina, de modo que quanto menos o próximo presidente dos EUA intervier, mais democracia e paz teremos na região, diante da qual a Venezuela não constitui, ao contrário do que se alardeia, uma verdadeira ameaça.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.