INFLAÇÃO E DECRETO

O ex governador LEONEL BRIZOLA, no auge de uma infeliz campanha contra o Plano Cruzado, afirmou, num dos “tijolaços” que publicava, como matéria paga, nos jornais, que a inflação não podia ser extinta por decreto, no que ele, a meu ver, estava redondamente enganado, pois se não fossem os decretos através dos quais os sucessivos governos brasileiros foram acabando, aos poucos com a correção monetária automática e generalizada ainda estaríamos, até hoje, naquela mesmo espiral preços e salários que nos massacrava.

Os Planos Monetários brasileiros, desde o Cruzado de 1986 até o Real de 1994, olhados, hoje, à distância, embora tão diferentes um do outro, tinham uma coerência interna, pois todos visavam acabar, por decreto, com a indexação, que era um dos principais fatores de descontrole monetário.

Faço essas considerações provocado pelas declarações do jornalista CELSO MING que escreve, no seu artigo do hoje do Estadão, o seguinte:

“ Mas não são apenas os alimentos ( ou causadores da inflação). Nesse mesmo esticão estão matérias-primas, petróleo e derivados. E, a partir daí, há a ciranda conhecida dos reajustes e correções – a tal espiral preços-salários – que realimentam a inflação”.

Faltou dizer que o governo brasileiro pode, se quiser, por decreto, impedir que surja de volta essa espiral terrível, que realimenta a inflação.

A peculiaridade da inflação brasileira é que ela se manifesta, por força da indexação remanescente, depois que os contratos já estão perfeitos e acabados, e não, apenas, antes que os preços se formem.

A questão da inflação brasileira, portanto – e nisso ela é diferente da que assola, atualmente, outros países – é que ela é produto da mente de juristas, que tentaram inventar uma forma de parte da população “conviver” com a inflação.

O decreto, portanto, no Brasil – ao contrário do que pensava BRIZOLA – pode ajudar, e muito, a debelar a inflação. É preciso que o governo tenha consciência disso, e que os analistas econômicos suscitem o debate sobre esse problema.


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