MEDIDA DE VALOR: origem da expressão

A noção de moeda como medida vem de ARISTÓTELES, como se lê na Ética a Nicômanos, onde ele escreve o seguinte:

“O que produz a retribuição proporcional é a união de termos diametralmente opostos. … Mas é preciso que se igualem e, por isso, todas as coisas que se permutam devem ser, de alguma maneira, comparáveis. Para isto introduziu-se a moeda que é, de algum modo, algo intermediário, porque mede tudo, de modo que mede também o excesso e o defeito: quantos pares de sandália equivalem a uma casa ou a um determinado alimento. … “

Mais adiante, esclarece ele:

“Mas essa proporção não será possível se os bens não forem, de alguma maneira, iguais. É necessário, portanto, que tudo se meça por uma só coisa, como se disse antes. Na verdade essa coisa é a necessidade que mantém tudo unido; porque se os homens não necessitassem nada ou não necessitassem igualmente, não haveria troca ou tal troca. Mas a moeda veio a ser como uma espécie de substituto da necessidade em virtude de uma convenção, e por isso chama-se assim, porque não é por natureza, senão por lei, e está em nossas mãos trocá-la ou inutilizá-la..”.

Reiterando a qualidade da moeda como medida, diz, por último, ARISTÓTELES:

“Assim pois, a moeda como uma medida, iguala as coisas fazendo-as comensuráveis: não haveria associação se não houvesse troca, nem cambio se não houvesse igualdade, nem igualdade se não houvesse comensurabilidade. Na realidade, é impossível que coisas que diferem tanto cheguem a ser comensuráveis, mas isso pode lograr-se suficientemente com a necessidade. Deve existir, então, uma unidade estabelecida em virtude de um acordo, porque isto faz todas as coisas comensuráveis. Com efeito, com a moeda, tudo se mede.”

THOMAS HOBBES, por sua vez, no Leviatã, do século XVII, já se refere à moeda não apenas como medida, mas como medida “de valor”, ao dizer:

“Pois, como o ouro e a prata tem um elevado valor em quase todos os países do mundo eles constituem uma medida cômoda do valor de todas as outras coisas entre nações diferentes. E o dinheiro ( qualquer que seja a matéria prima em que se faça cunhar pelo soberano de uma república ) constitui a medida suficiente do valor de todas as outras coisas entre os súditos dessa república”

Contrapondo as doutrinas do valor intrínseco e do valor nominal, vigentes desde aquela época, diz HOBBES:

“E porque o ouro e a prata recebem o seu valor da própria matéria de que são feitos, são eles os primeiros a ter o seguinte privilégio: o seu valor não pode ser alterado pelo poder de uma ou algumas repúblicas, pois é medida comum das mercadorias em todos os lugares. Mas a moeda corrente do país pode facilmente ter o seu valor aumentado ou rebaixado. Em segundo lugar, o ouro e a prata têm o privilégio de imprimir movimento às repúblicas, fazendo-as, quando se torna necessário, estender os seus braços até os países estrangeiros, e o de aprovisionar,não apenas os súditos que viajam, mas também exércitos inteiros. No entanto, aquela moeda que não tem valor devido ao material de que é feita e sim devido à cunhagem local, é incapaz de suportar a mudança de ares e só produz efeitos no seu próprio país; e nesse mesmo encontra-se sujeita à mudanças da leis, podendo assim ter o seu valor diminuído, muitas vezes em prejuízo de quem as possui.”

Essa noção da moeda como medida de valor acompanhou o dinheiro até hoje, mas está sendo superada pelo conceito mais moderno de moeda não como medida, nem como medida, ou unidade de medida, de valor e sim, apenas, como valor.


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