O CRÉDITO IMOBILIÁRIO É INFLACIONÁRIO II

Segundo os jornais o crescimento do crédito imobiliário foi de 75,9% em apenas 5 meses e , em maio último, atingiu a maior marca em 20 anos, ao mesmo tempo em que o consórcio de imóveis, para classe de menor renda, está batendo recordes.

Ao lado disso, o Banco do Brasil – com a sua força e prestígio de banco público – está entrando, firme, nesse segmento, ao lado de empresas multinacionais que estão se instalando entre nós para aplicar os recursos que foram, por certo, obrigadas a desviar dos EUA depois da crise do subprime.

Toda essa movimentação vai servir para aumentar os níveis de inflação; isso porque o setor imobiliário, depois de anos de recolhimento, conseguiu ter, de novo, uma moeda própria, como veremos a seguir.

Quando foram editados o Plano Real e a Lei da Desindexação da Economia os reajustes das prestações imobiliárias só poderiam ocorrer a cada 12 meses.

O lobby da construção civil, contudo, depois de muito pressionar, conseguiu uma autorização excepcional do governo para recuperar os “resíduos mensais” da inflação, no momento da correção anual.

Mais tarde, obteve permissão do Banco Central para voltar a promover o reajuste mensal.

Finalmente, o Congresso fundiu as várias Medidas Provisórias que beneficiavam o setor, e foi editada a Lei n. 10.931, de 2 de agosto de 2004, que, além de uma porção de benefícios, outorgou ao novo SFH o que ele mais queria, uma moeda própria, similar à finada UPC.

O resultado, num primeiro momento, é o afluxo cada vez maior de dinheiro para o setor, com o incremento da venda ( com alienação fiduciária ) de imóveis novos, primeiro para as classes mais favorecidas e, agora, com a entrada do Banco do Brasil na ciranda, para os mais pobres.

Parece ironia o fato de que enquanto o Banco do Brasil anuncia o seu ingresso nessa área, a Caixa Econômica Federal esteja promovendo um “feirão” de venda de cerca de 50 mil imóveis, que ela conseguiu reaver depois do gigantesco inadimplemento que ocorreu há cerca de 20 anos atrás, em decorrência de uma política semelhante à que está sendo agora posta em prática.

Somos, sabidamente, um povo de memória curta. Vimos, recentemente – mas não aprendemos a lição – o quanto custa permitir que seja usada, como regra, a correção monetária automática e compulsória.

O argumento de que, para ter retorno, a indústria da construção deve receber os mesmos benefícios de que dispõem as instituições financeiras é falso, por duas razões pelo menos: primeiro, porque são duas atividades diferentes; segundo, porque a tendência correta seria retirar do setor financeiro as vantagens indevidas ( e mesmo ilegais ) de que desfruta, e não estendê-las ao segmento da construção civil.

Foi amarga a nossa experiência quando, a partir de 1964, achamos que era possível administrar duas moedas, a unidade monetária nacional e um Indexador oficial,do que resultou, como sempre resulta nesses casos, a supremacia do Indexador sobre a moeda.

O presidente HENRIQUE MEIRELLES, na sua entrevista ao programa Roda Viva, da TV Brasil, informou que o Banco Central não teme o reflexo do aumento de crédito na inflação, na medida em que não aumentar a inadimplência.

A elevação dos juros e da inflação, porém, vai gerar maior indexação no SFH, os preços das prestações vão aumentar, consideravelmente, muito em breve, e a inadimplência no setor vai voltar com toda a força. É só esperar, para ver.

É por essas e por outros que um Estado nacional só deve ter uma moeda.


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