VIOLÊNCIA & DESCULPAS

A violência dos chefes do tráfico, no mundo inteiro – como nos ensina o prêmio Nobel de economia, GARY BECKER – é o modo de eles, através do medo, exercerem a autoridade sobre os seus comandados o que decorre, segundo BECKER, da situação de ilegalidade em que vivem esses grupos.

No tocante ao tenente do Exército, que pretendeu dar um “corretivo” nos três rapazes ( o que, afinal, sub-empreitou ao bando rival do morro da Mineira ) a sua conduta criminosa reflete, pelo menos em parte, uma falta de preparo dos oficiais para o exercício de sua função, que deve ser analisada pela Corporação.

De qualquer forma, foi estimulante assistir ao pedido de desculpas públicas do governo federal à comunidade local e à toda a população do Rio de Janeiro, formulado pelo Ministro da Defesa, pelos Chefes militares e pelo Deputado presidente da Comissão de Segurança da Câmara.

Vamos esperar para ver se, após a reunião da próxima 2ª. feira, aqui no Rio, com o presidente da República, o nosso governador vá, também, se desculpar formalmente, pois foi ele – para dar a impressão que estava combatendo duramente o tráfico – quem destampou o caldeirão de maldades atualmente praticadas pelo poder público contra as comunidades pobres do Estado do Rio de Janeiro, contribuindo para gerar um clima de beligerância capaz de provocar, ainda que indiretamente, o tipo de tragédia que acabamos de presenciar no morro da Providência.

Convém não esquecer, por último, que foi o Governador um dos que mais insistentemente pleitearam a presença direta dos militares no combate ao tráfico no Estado do Rio de Janeiro.


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