OU MORDE OU SOPRA

O Poder Público está enovelado numa contradição ao querer tratar a coerção policial como se fosse uma preliminar dos benefícios que pretende trazer para as comunidades: uma espécie de troca de bens futuros por males atuais, como se isso fosse possível.

As forças policiais, ou militares, são um instrumento de execução de sanções, e não de concessão de benesses.

Devemos, por outro lado, renegar o pressuposto maniqueísta de que haveria, nas comunidades pobres, pessoas do bem dispostas a lutar contra pessoas do mal, estas últimas identificadas com aquelas ligadas, direta ou indiretamente, ao comércio de drogas.

Tal situação é agravada pela retórica de guerra, que passou a ser empregada pela atual Administração estadual, que eleva o traficante à condição de combatente, não desconfiando de que isso, para este, é um “upgrade”.

Sem falar do autoritarismo de que vem se revestindo certas ações sociais dos governos, algumas das quais podem descambar em pura campanha político-eleitoral.


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