INÉRCIA INFLACIONÁRIA

O Coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas, SALOMÃO QUADROS, (diante da elevação de 1,83% do IGP-M, na segunda prévia da inflação de junho ), classificou como “delicada” a situação atual, admitindo, segundo o Estadão, que ‘ por serem indexadores de contratos e tarifas – como aluguéis e contas de eletricidade – os IGPs são, neste momento, “um fator de persistência inflacionária”, podendo representar um elemento de sustentação da inflação no futuro, dizendo, literalmente:

“Isso cria uma certa inércia. Se houver uma percepção de que o governo não está conseguindo conter esse processo, pode, mesmo, haver um descontrole.”

Mas será que o governo não pode agir, legalmente, para conter esse processo ? Ou terão as autoridades monetárias esquecido de que fizeram uma Desindexação da Economia e proibiram a vinculação de contratos a Indexadores de caráter geral, admitindo que o reajustamento de preços após a sua atribuição definitiva pode ofender a Constituição ?

Precisamos impedir que o Brasil mergulhe na reindexação da Economia, o que parecia impossível há alguns anos atrás, mas que, agora, é uma ameaça efetiva.

Isso depende, contudo, a meu ver, de um entendimento institucional dos três Poderes da União.

É preciso, portanto, não só que se efetive o programado encontro dos presidentes LULA e FHC, para tratar da ameaça do curso da inflação no Brasil, como que haja um entendimento formal dos chefes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário federais, para dar um paradeiro definitivo na indexação que remanesce entre nós.

Os EUA, nos bons tempos do presidente ROOSEVELT, so conseguiram acabar com a cláusula ouro ( que era, na época, uma forma de indexação ) através de uma Resolução Conjunta dos Três Poderes – a conhecida Joint Resoiution de 5 de junho de 1933 – que deu ao governo daquele país os instrumentos para reverter os danos causados pela crise de 1929.
Esse é um exemplo a ser seguido por nós.


1 comentário até agora

  1. Henrique Raineri Lima julho 25, 2018 6:32 pm

    Não sabia que proibiram a vinculação de contratos a Indexadores de caráter geral. Isso realmente aconteceu? Poderia me confirmar isso? Obrigado.

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