LICENÇA PARA MATAR

Um dos maiores especialistas em drogas no Brasil, WALTER MAIEROVITCH, termina o artigo que publicou hoje no Globo, intitulado “Prometeu-se mudar e tudo está igual” escrevendo o seguinte:

“A política brasileira para contrastar o fenômeno das drogas, apresentada no apagar das luzes do governo FHC, é cópia carbonada da norte-americana, de péssimos resultados. No governo LULA prometeu-se tudo mudar, mas continua tudo igual.”

Importar uma política errada para aplicar num país, como o nosso, em que as forças de segurança ostentam, tradicionalmente, uma cultura truculenta, e sempre gostaram de matar, foi um enorme equívoco, além de representar um risco para todos nós, como esse episódio do assassinato do jovem Daniel por um PM, que fazia a segurança do filho de uma Promotora, está demonstrando cabalmente.

Há, hoje, um estímulo oficial para que as forças de segurança matem, de responsabilidade do atual Governador do Estado ( que, no início do seu mandato, fez discursos inequívocos a esse respeito ) e do presidente da República, que endossou essa política, ao declarar, há menos de um ano atrás, que “bandido não se trata com flores.”

Dessa ideologia, contudo, está resultando a morte de muitos inocentes no Rio de Janeiro, seja em supostos confrontos com a polícia ( registrados em “autos de resistência” ), ou por “balas perdidas”, ou “erros de pontaria”, ou tiros a esmo etc – e, agora, por último, para por fim a uma briga na porta de uma boate ( envolvendo, neste último caso, um dos 200 policiais militares que estão dando segurança pessoal a familiares de membros do Ministério Público Estadual, o que é, por si só, um fato aterrador).

É preciso revogar, imediatamente, a licença para matar que foi outorgada às autoridades armadas no Rio de Janeiro !


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