INFLAÇÃO E ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O ex-ministro da Fazenda, DELFIN NETTO, afirmou ao “Estadão” que “ a oposição quer atingir a popularidade do presidente LULA com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais.”

Será verdade, ou isso não passará de mais uma das declarações pomposas que DELFIN se acostumou a dar ao longo da vida, sempre a favor dos que estão no poder ?

Ao falar mal da inflação a oposição está querendo falar mal do governo; mas isso não quer dizer que não haja inflação, nem que o governo não deva ser criticado em torno de um problema concreto.

Durante anos a oposição brasileira ficou fazendo um discurso sensacionalista – calcado no moralismo hipócrita do tipo udenista – despido de seriedade e consistência. Agora, não: falar da inflação, e falar mal da condução do problema pelo governo, é salutar, embora talvez sem reflexos negativos imediatos nas próximas eleições municipais.

Parece não haver dúvida de que o atual ministro da Fazenda não está à altura da gravidade da situação. Parece claro, também, por outro lado, que a contenção dos preços dos combustíveis é uma medida artificial, que não passa de uma forma de politização equivocada da questão.

Ainda acredito que o presidente LULA, que sentiu o problema da indexação na carne, tenha a intuição necessária para perceber a gravidade do que está se passando, e que tome medidas para acabar com a correção monetária residual, que vem sendo a grande responsável pelos aumentos de preços. Ele não tem, contudo, muito tempo para fazer isso, sob pena de a chapa que o PSDB conseguir formar para as eleições de 2010 ter grandes chances de substituir o PT no poder.

E não vai ser tendo DELFIN NETTO como porta voz que o governo vai sair da enrascada eleitoral em que a inflação brasileira objetivamente está colocando-o.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.