POR UM PLANO REAL “PLUS”

O presidente do Banco Central do Brasil, HENRIQUE MEIRELLES, voltando da reunião anual do Banco para Compensações Internacionais na Basiléia, disse que a possibilidade da volta da indexação dos preços é um “risco fundamental” para a economia e disse, também, ser “preciso conscientizar a sociedade de que a indexação levará apenas à necessidade de um esforço maior monetário e fiscal”.

Acontece que a indexação brasileira não é um risco futuro, mas uma realidade passada e presente.

O Plano Real, e a Lei da Desindexação da Economia, além de serem vítimas, até hoje, do artificialismo da Unidade de Referência de Valor ( URV ), permitiram a sobrevivência da correção monetária na área tributária ( através da SELIC ), no mercado financeiro ( depois estendida para o sistema imobiliário ), no Judiciário (cível e trabalhista) e nos negócios jurídicos privados (após o prazo de 1 ano ).

Não adianta, portanto, pedir aos trabalhadores, aos profissionais liberais, aos fornecedores e funcionários públicos – “em resumo, a sociedade toda” – que lutem contra a ameaça da indexação: a – porque trata-se de uma questão que vem do passado: b – porque a sociedade pode enfrentar a inflação, mas a indexação é um problema constitucional e legal do Estado, que ao governo cabe resolver, e não aos cidadãos.

Por outro lado, é um simplismo afirmar que a inflação é um problema mundial, pois a moeda – salvo no caso do EURO – é uma questão nacional, de modo que a inflação, que é uma questão monetária é, também, precipuamente, um problema nacional ( ainda que haja, no momento, vários surtos nacionais de inflação ).

Quanto ao discurso oficial, de que há um “certo exagero” nas notícias sobre a inflação e de que haveria gente torcendo pela inflação “ para ter um discursinho para atacar o governo”, nada mais errado, inclusive errado eleitoralmente falando, pois a situação atual pode ser em grande parte atribuída a falhas na concepção do Plano Real, de responsabilidade do PSDB.

Podemos estar caminhando, portanto, nos próximos dois anos e meio de governo do PT, para um Plano Real Novo, ou Plano Real II, ou um Plano Real “plus”, com todas as desvantagens que esse tipo de medida acarreta mas que, se tiver que vir, deve ser dirigido por uma nova equipe econômica interdisciplinar, chefiada, se possível, por alguém que tenha liderança acadêmica – uma espécie, em outras palavras, de um novo PEDRO MALAN.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.