RECADOS DOS EDITORIAIS

Os editoriais dos órgãos de imprensa ora são diretos, dizendo exatamente o que pensam, ora são sutis, querendo passar o seu recado sem a necessidade de se comprometer demais com o que estão sugerindo.

Hoje, por exemplo, os editoriais do GLOBO ( sobre a questão de segurança no Rio de Janeiro ) e o do ESTADÃO ( sobre o avanço da indexação ) contém duas recomendações implícitas que é preciso alguma argúcia para entender.

No tocante ao GLOBO , refiro-me ao texto “Ações Imediatas” cuja parte final é a seguinte:

“ A paralisia do governo diante da crise de credibilidade dos seus organismos de segurança implicará o alargamento do fosso que separa as polícias do padrão ético e técnico em que devem operar”.

Essa “paralisia”, a que alude o GLOBO, refere-se, evidentemente, à demora do governador em substituir o atual Secretário JOSÉ MARIANO BELTRAME, por alguém de sua confiaça que possa propor uma nova política de segurança para o Estado.

Quanto ao editorial do ESTADÃO, intitulado “Diques contra a Inflação”, para entender a sua advertência ao governo, é preciso um esforço maior de interpretação. Ele elogia a atuação do Banco Central brasileiro mas, de forma oblíqua, adverte o Ministro da Fazenda de que ele, ao invés de querer apenas passar tranqüilidade para a população, deve agir mais firmemente para impedir a “difusão dos efeitos de segunda ordem ( das elevações das commodities ) com repasses e contágio”, concluindo a mensagem com as seguintes palavras:

“ O aumento acumulado em 12 meses chegou a 17,90%. É função da política antiinflacionária impedir o repasse desses aumentos ao varejo. Se a onde não for contida, o ajuste será mais doloroso e o custo econômico muito maior.”

O que preocupa o ESTADO DE S. PAULO é o aparente descasamento das políticas do Banco Central e do Ministério da Fazenda já que o problema da inflação não é, somente, uma questão de elevação ou diminuição das taxas de juros ( pois os juros são um acessório da moeda ) mas da própria moeda em si.

Isso envolve, em outras palavras,um conselho para que as equipes do Banco Central e do Tesouro trabalhem em conjunto para impedir o repasse dos quase 18 % de inflação nos últimos doze meses aos preços dos salários e das mercadorias, proibindo que a aumento do arroz, por exemplo, promova, automaticamente, a elevação da tarifa dos serviços de utilidade pública, e assim sucessivamente.

Esse descasamento do Banco Central e do Ministério da Fazenda tem sido várias vezes denunciado.

É preciso definir, agora, em torno de que pontos o “casamento” deve ser refeito (ou feito, pela primeira vez ). E a resposta é uma só: a união das equipes econômicas deve ser dar em redor da defesa da moeda nacional, contra tudo que prejudique a sua estabilidade, seja a inflação, seja a indexação … seja a “indexflação”.


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