COISAS DE “FÜHRER”

O Governador do Estado, na entrevista à colunista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo – e nas suas declarações aos jornais em geral – tem usado uma linguagem irascível para definir as opiniões contrárias à sua ilegal política de enfrentamento, dizendo que não passam de“cretinice” ou de “canalhice”, já que os policiais que ele comanda são “estúpidos” ou “débeis mentais”.

O que ele, embalado nas suas convicções extremadas, não percebeu ainda, foi o risco que assumiu ao destampar o caldeirão explosivo que é a corporação policial do Rio, composta de tropas de pessoas mal remuneradas que, num determinado momento, podem ver na ação violenta uma forma de extravasar alguns de seus amargurados sentimentos de classe.

A PM foi estimulada, oficialmente, a matar os “bandidos” ( de preferência pobres e negros, quanto mais indefesos melhor ) mas, num determinado momento, virou-se contra a classe média indefesa, vitimando crianças, jovens desarmados e reféns de ações criminosas.

A ideologia que sustenta a política de segurança do Estado visava promover uma varredura social, para agradar segmentos sectários da opinião pública local: o que os seus defensores talvez não imaginassem era a possibilidade de virada do poderio de fogo policial contra os mais ricos e mais brancos. Descuidaram da lição da História de que o ideologia fascista também recebeu, no inicio, na Itália e na Alemanha, o aplauso dos poderosos, mas acabou destruindo-os a todos, com a sua irracionalidade.

Os policiais também são cidadãos, com os seus preconceitos e visões do mundo, como todos nós. Estimulá-los a agir contra a Lei é tirar deles o único apoio que pode contê-los, pois lhes cabe defender a legalidade. Na hora em que eles percebem que não precisam ser, mais, cumpridores da Lei, eles deixam de respeitar o comando da falsa autoridade, e passam a reagir de modo descontrolado, como está acontecendo presentemente.

O discurso que, até agora, tem sido feito pelo governador – e que se torna cada vez mais agressivo, como se percebe pelas palavras à imprensa, na sua insistência de manter um Secretário inteiramente desgastado na Segurança – ao ser contrário aos princípios constitucionais do respeito à vida humana e ao “due processo of law” – arrebentou o pouco que havia de hierarquia nas corporações policiais carioca e fluminense.

Ainda cabe a quem tem alguma responsabilidade nessa área, e é certamente ouvido, exigir do governador que mude, radicalmente, a sua política de segurança. E isso deve ser feito antes que seja tarde demais….


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