DIFERENÇAS DE LINGUAGEM E DE AÇÃO

O Banco Central pode estar errado elevando as taxas de juros ( as quais, nos níveis a que estão retornando, causam evidentes danos à ordem monetária brasileira ) mas ele não pode ser culpado por omissão, já que expressa, publicamente, as suas preocupações que, segundo o resumo de hoje feito pelo Estadão, são as seguintes:

1) – alta de preços; 2) – possibilidade de aumentos localizados de preços contaminarem toda a economia; 3) – remarcação dos preços dos serviços; 4) – aumento da demanda interna decorrente do crescimento da renda e da expansão do crédito; 5) – demora no efeito dos novos investimentos e 6) – contaminação de preços pela inflação global’.

Enquanto o Banco Central demonstra essas graves preocupações, o Ministério da Fazenda não diz coisa com coisa.

É verdade que o Ministério da Fazenda é um órgão da Administração centralizada, que não tem a independência do Banco Central: mas ele é também responsável pela defesa da moeda nacional, e não pode ficar, como se diz, na retranca, como se não tivesse nada a ver com o que está acontecendo, devendo ser promovida uma harmonização do discurso econômico-financeiro do governo, para que um dos órgãos responsáveis pela política monetária não fale e aja demais, e o outro de menos.

Certos analistas atribuem a responsabilidade da inflação ao setor público, especialmente por causa da sua generosidade com o funcionalismo, e este seria um dos negativos “efeitos das transferências governamentais neste e nos próximos trimestres”, de que fala a Ata do COPOM.

O preço que o país tem pago, porém, nessas décadas, por remunerar mal aos seus servidores, tem sido muito grande, e essa má retribuição tem causado inúmeros danos à própria iniciativa privada que, ao defender – como sempre defendeu – que os servidores recebam vencimentos insuficientes, pode estar dando tiros no pé.

O Banco Central, de qualquer forma, tem o mérito de dizer o que pensa, o que não ocorre com o Ministério da Fazenda, que não está à altura do momento difícil que o Brasil está vivendo, do qual o governo, para escapar, deve atuar, dentro da Lei, mas com muito rigor, evitando a “indexflação” que, se não for contida com outras medidas ( que não se limitem ao aumento dos juros pelo Banco Central ) poderá nos levar, neste ou no próximo período, a ter que fazer uma outra Reforma Monetária.


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