A EXPERIÊNCIA COLOMBIANA COM AS DROGAS

O sociólogo colombiano IVAN DARÍO RAMÍREZ, da ONG Corporação, Paz e Democracia, de Medelin, entrevistado pelo jornalista WILSON TOSTA, no Estadão de hoje, faz três afirmações importantes, que merecem ser ouvidas pelas autoridades locais:

A primeira delas que “não bastam políticas de choque, por que essas políticas podem conter por um tempo, mas não resolvem”. A segunda que, no caso particular da Colômbia, “ a política de tratamento do tema do narcotráfico foi um fracasso”. E a terceira, que é preciso “discutir, sem pudores, o tema da legalização.”

Não é fácil, para os brasileiros, debater a legalização das drogas,mesmo porque é difícil, entre nós, em muitos casos, discutir – com perdão do paradoxo – a legalização da própria Lei. Além disso a droga é demonizada pelos meios de comunicação, sob a influência da ideologia do “war on drugs” norte americano, que também se revelou um fracasso.Contudo, se não houver legalização, e se o tráfico de drogas continuar aumentando sempre, a despeito do combate que se trava contra ele há mais de 30 anos, como resolver a questão ?

Legalizar não quer dizer liberalizar pois, em muitos casos, pode significar maior restrição. Legalizar não quer dizer, também, estimular, nem mesmo deixar de evitar – nesse último caso através de campanhas educativas, e outros meios legítimos.

Legalizar quer dizer, em primeiro lugar, deixar de demonizar, reconhecendo que o uso de drogas e, conseqüentemente, a sua comercialização, existe na nossa sociedade contemporânea. E, a partir daí, tentar disciplinar a atividade procurando acabar, especialmente, com a violência aterrorizante praticada pelos chefes das gangues, que são o modo de eles se manterem no poder, que parece justificar a violência policial da repressão.

Cumpre-no lembrar, a propósito, das palavras de BERTRAND RUSSEL ao final de uma célebre palestra que ele proferiu em 1927, na Prefeitura municipal de Battersea, sob os auspícios da Seção do Sul de Londres da National Secular Society:

“Devemos apoiar-nos em nossos próprios pés e olhar o mundo honestamente – as coisas boas, as coisas más, suas belezas e sua fealdades; ver o mundo como ele é, e, não temê-lo. Conquistar o mundo por meio da inteligência, e não apenas abjetamente subjugados pelo terror que ele nos desperta.”


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