A FORÇA DA IDEOLOGIA

O jornal Estado de S. Paulo publica, hoje, sob o título “nacionalismo petrolífero chega ao Brasil”, matéria assinada por ANDREI NETTO, contendo o resumo de uma análise feita pelo presidente do Instituto Francês de Petróleo, OLIVIER APPERT, segundo a qual o Brasil está tentando seguir a onda nacionalista em matéria de exploração de petróleo já manifestada por outros países, dentre os quais a Rússia, a Venezuela e o Irã.

Segundo ele, as alterações das regras da Lei n. 9.478, do tempo de FHC, que abriu o setor da exploração de petróleo à iniciativa privada, devem-se às “mudanças na relação entre o preço do barril e o custo de exploração de novas jazidas”, porque, nas suas palavras:

“Quando o preço estava em baixa e a relação com o custo de exploração era alto, as multinacionais eram vistas como parceiras. Agora, com o preço chegando a US $ 200,00, a situação se inverteu, e a decisão não me surpreende.”

Voltamos, de certo modo, à situação da década de 1950, quando foi criada entre nós a PETROBRÁS, opondo o lado, digamos assim, “esquerdista” governo de GETÚLIO VARGAS e o setor que podemos chamar “direitista” da imprensa brasileira, numa polêmica que tomou conta do meio político e, de certa forma, acabou levando ao suicídio do presidente em 1954.

As gigantes multinacionais petrolíferas, como informa a reportagem, dentre elas a BP, a SHELL, a EXXON, estão sentindo as conseqüências desse nacionalismo, e sofrem restrições no seu anterior acesso amplo à exploração. Aqui no Brasil, através da imprensa, elas atacam as mudanças da Lei, capaz de acarretar “ atraso nos investimentos com prejuízo para as descobertas”, conforme noticia o mesmo Estadão.

Lembro-me bem, a esse propósito, do que se dizia antigamente, que havia dois grandes negócios no mundo: o primeiro, uma empresa petrolífera bem administrada: o segundo, uma empresa petrolífera mal administrada. Essa lembrança me faz desconfiar que as multinacionais podem, nesse caso, não ter razão.

Aprendi, porém, por outro lado, ao longo desses anos, que o nacionalismo é uma ideologia perigosa, que às vezes contamina o espírito das nações, como ocorre, por exemplo, com os Estados Unidos da América, com a Rússia, com a China, com o Irã, e com tantas outras.

Como, porém, não ser nacionalista, especialmente num caso como este das exploração do petróleo nas camadas de pré sal ?

Ao lado de um nacionalismo do mal – que gerou o fascismo na Europa nos anos 1930 – há de haver um nacionalismo do bem, como o que permitiu que surgissem, no Brasil, na década de 1950, a PETROBRÁS e a ELETROBRÁS e conseguiu ajudar a elevar os EUA, a China, a Rússia, à condição de grandes potências econômicas, políticas e militares.

Esse nacionalismo do bem – que vai se espraiar, certamente, pelo debate político – pode ajudar o governo brasileiro a implantar o seu plano de exploração de petróleo na camada de pré-sal que consistiria, segundo a reportagem que estou comentando, grosso modo, no seguinte:

a) na instauração de um método misto de exploração, limitando as concessões a zonas de risco;

b) na aplicação de um sistema de compartilhamento de royalties;

c) na criação de uma nova estatal, não operacional, para gerenciar os novos contratos.

Ora, a força da ideologia se exerce, inevitavelmente, sobre cada um nós.

De minha parte, por exemplo, está me parecendo muito boa essa proposta do governo…


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