JÁ VIMOS ESSE FILME ANTES

O caderno de economia do Estadão de hoje traz uma reportagem assinada pela jornalista RENATA GAMA mostrando que “quem foi na onda do boom imobiliário e comprou imóvel financiado pela construtora tem sentido o impacto direto da inflação, pois as parcelas do saldo devedor são corrigidas mensalmente pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC ) que, em sete meses, subiu mais do que o acumulado do ano passado.”

Por outro lado, diz o mesmo jornal, quem financiou a compra de seu imóvel na planta, através do crédito bancário, não está tendo ainda a mesma sensação, pois o seu reajuste, através da Taxa Referencial ( TR ) é anual, embora esse tipo de empréstimo, no final, seja mais caro.

O cenário , pois, é o mesmo: vários índices, correções monetárias em freqüência diversa, aumento da inflação.

No tocante às dívidas rurais, como noticia o mesmo jornal, pouco adiante, a bancada ruralista obteve, de novo, como há cerca de 15 anos atrás, uma modificação das quantias objeto das prestações dos financiamento agrícolas e pecuários, conseguindo votar uma Lei que substitui, nesses empréstimos, a taxa SELIC pela Taxa de Juros de Longo Prazo, que é bem menor.

Preparem-se, pois, os juízes brasileiros: quando crescer a inadimplência, o que já está começando a ocorrer, todas essas questões irão desembocar em conflitos que deverão ser resolvidos pelo Poder Judiciário, que irá, de novo, se atolar com processos judiciais que se somarão aos milhares anteriores em curso sobre temas semelhantes.

É triste constatar como o Brasil reincide, periodicamente, nos mesmos erros.

A experiência desses últimos quarenta anos já mostrou que o sistema de indexação das prestações dos negócios imobiliários não dá certo. Além de gerar inflação, torna-se, em pouco tempo, impossível de administrar. Vira e mexe, contudo, lá vêm os espertalhões e os burocratas de sempre propondo fórmulas mágicas, que repercutem favoravelmente nos indicadores do crescimento, mas têm funestas conseqüências econômicas e jurídicas.

Note-se que certas empresas multinacionais do setor, que tantos danos ajudaram a causar à Economia americana por ocasião da crise conhecida como do “sub prime” estão vindo para o Brasil e são, agora, em grande parte, as responsáveis pela reativação, por meios condenáveis, do mercado imobiliário em nosso país.

Embora eu não me proponha a indicar soluções não posso deixar de apontar o grave equívoco em que as autoridades monetárias e fazendárias brasileiras estão, de novo, incidindo.

Insistir no erro é uma conduta típica de irresponsáveis. Já vimos esse filme, e conhecemos o seu final infeliz. É só esperar um pouco porque ele não vai demorar muito a aparecer nas telas.


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