A MOEDA ÚNICA COMO FATOR DE UNIÃO REGIONAL

Didaticamente, o analista econômico CELSO MING, na sua coluna de hoje do Estadão, sob o título “Primeiro engatinhar, depois andar”, comentando as declarações conflitantes sobre o MERCOSUL, respectivamente, do governador JOSÉ SERRA e do ministro CELSO AMORIM, diz, em síntese, o seguinte:

“ O processo de integração entre países tem, pelo menos, quatro estágios. O primeiro, é o da área de livre comércio; o segundo estágio é o de união aduaneira; o terceiro estágio é a união monetária, que só ocorre depois de consolidados os anteriores; o quarto estágio, ainda não alcançado por nenhum bloco comercial, é a união política”.

Gostaria de lembrar ao colunista que esses estágios, contudo, ao contrário do que ele dá a entender, não são estanques, nem as fases a que eles correspondem são tão nitidamente delineadas.

A união monetária não é necessariamente, o terceiro estágio de um processo de integração, pois ela tem características de união política que se manifestam, por exemplo, claramente, no caso da União Européia, e do EURO, que está politicamente cada vez mais unida, não obstante a recusa dos seus povos em ratificar o projeto de Constituição do bloco.

Se a moeda não for pensada, apenas, como uma suposta portadora de poder aquisitivo – mas, sim, como ela é, como um meio de organizar a conduta das pessoas na sociedade – a união monetária pode ser elaborada ao mesmo tempo em que os outros passos para a integração estão sendo dados.

O problema, no fundo, é saber se queremos, ou não, a integração latino americana, que o ministro CELSO AMORIM deseja, e o governador JOSÉ SERRA, aparentemente, não quer, o que não deixa de ser uma frustração, para quem o admira como homem público, e provável futuro presidente brasileiro.


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