A DEFLAÇÃO DA DÍVIDA

O economista PAUL KRUGMAN, comentarista do NYT, no artigo “Bom, mas insuficiente”, publicado na edição do Estadão do dia 9 de setembro, explica que o fenômeno da “deflação da dívida” ocorre quando “os preços sobem na hora de pagar, mas os preços dos ativos, que é o que importa para os balanços, caem rapidamente.”

Nessas horas – dramáticas – como a que estão vivendo as empresas financeiras americanas, vê-se, claramente, como é falaciosa a noção de “valor real”.

Qual será, por exemplo, o valor real dos ativos do banco Lehman Brothers ?

A única resposta correta é a seguinte: não se sabe.

Escreve, a propósito, ALEX BERENSON, no artigo “Drama sem ato final à vista”, hoje publicado:

“ Os investidores simplesmente não sabem quanto valem esses ativos. Cabe, exclusivamente, à administração decidir quanto esses ativos valem e dizer a seus contadores. Por exemplo, o Lehman comunicou, na semana passada, que dispunha de US$ 20 bilhões em capital tangível – dinheiro que teoricamente estaria disponível para seus acionistas, caso o Lehman tivesse que ser liquidado. Mas esses mesmos acionistas avaliaram o Lehman em apenas US$ 2 bilhões na sexa-feira, prova de que eles não confiam na maneira como o Lehman calculou os seus ativos.”

Essa é a questão: as empresas têm ativos, que vão perdendo a sua característica de “ativos” quando elas pretendem vendê-los nos momentos de crise.

Se é o governo que intervém, a tendência é ser pago um bom preço, porque o dinheiro, como se diz aqui no Brasil, é da viúva.

É na batalha da compra e venda entre as empresas privadas que o vendedor acha que o ativo vale aquilo que o comprador tem a certeza de que ele não vale, e o tal fenômeno da deflação da dívida mostra a sua cara.


1 comentário até agora

  1. mariley outubro 9, 2008 12:21 pm

    eu gostaria de aprender mas sober esta economia ,pois estou fazendo adm. e trabalho num loja na qual eu que compro ,pago
    fasso tudo ,apreender a escolher as melhores opcçoes…

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