FÁBULA SOBRE A ECONOMIA

Num livro que se tornou um clássico para a minha geração, a “Introdução à Análise Econômica” , de PAUL SAMUELSON, tomei conhecimento, pela primeira vez, da alternativa “canhões versus manteiga”, que o Autor assim descrevia:

“Temos aí duas possibilidades extremas. Entre ela ainda existem outras. Se estivermos decididos a abrir mão de certa quantidade de manteiga, poderemos ter certa quantidade de canhões; se estivermos dispostos a abrir mão de uma quantidade ainda maior de manteiga, poderemos ter ainda mais canhões.”

Eu era, na época, mais favorável à tese de GALBRAITH, no seu livro “The Affluent Society”, segundo o qual os americanos tinham ficado tão ricos que o dualismo canhões e manteiga estaria superado, já que os EUA eram capazes de manter guerras sem prejuízo de continuar consumindo senão manteiga, pelo menos margarina.

Eis que o presidente BUSH decidiu desencadear duas guerras ao mesmo tempo que implicaram a ocupação, por suas tropas, de países distantes, dentre eles o Iraque, invadido unilateral e preventivamente, sob o falso pretexto de que estava armazenando armas de destruição em massa.

O prêmio Nobel de Economia JOSEPH STIGLITZ fez, então, uns cálculos e concluiu que a guerra do Iraque estava custando vários trilhões de dólares.

Eis que alguns bancos americanos, pouco depois, começaram a ameaçar quebrar: primeiro o “Bear Stearns”, logo depois os “Fannie Mae e Freddie Mac”, e o Tesouro americano passou a socorrê-los, para dar a sensação ao mundo que um grande banco não podia quebrar.

Agora, porém, o “Lehman Brothers”, o quarto maior banco de Investimentos dos EUA, se declarou em estado falimentar; o “Merrill Lynch” foi vendido, às pressas, a preço de banana, para o “Bank of America“; o “Washingon Mutual” está balançando e o Citybank dá claros sinais de que vai ser o próximo a falir e o Tesouro americano não mais os ampara, porque ele também, provavelmente, está sem grana.

A história da manteiga versus canhões, portanto, não estava tão errada assim.

Talvez se os EUA tivessem ganho, como eles imaginavam, rapidamente, a guerra do Iraque, a quebradeira atual não estivesse acontecendo.

O fato inegável, porém, é que eles – tendo os republicanos à frente do governo – assumiram o risco disso acontecer.

Moral da história: Será que os americanos, ainda assim, vão votar novamente nos republicanos para ocupar a Casa Branca ?


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