UMA BOA COBERTURA JORNALÍSTICA DA CRISE

Refiro-me ao Caderno de Economia do Estadão que hoje publica textos e opiniões de JOSEPH STIGLITZ, EDMAR BACHA, MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES e FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, dentre outros, que ajudam o leitor a entender o que está se passando.

STIGLITZ, em entrevista originalmente concedida a NATHAN GARDELS, do Global Viewpoint, faz uma comparação da situação atual, no que tange ao chamado “fundamentalismo de mercado”, com a queda do muro de Berlim, época em que ficou claro que o sistema marxista de organização da economia não funcionava. Agora, o que se vê, depois das intervenções do Estado americano na Economia, é que a não regulação, que fez REAGAN substituir PAUL VOLCKER ( a favor da regulação ) por ALAN GREESPAN ( contrário à regulação ) foi uma falácia.

A economista MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES, por outro lado – voz que foi calada, por uns tempos, por alguns medíocres analistas locais – define, com sarcasmo, os derivativos ( que ajudaram a alavancar a crise ) como “uma invenção do demo”.

Do ex presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO reproduz-se o comentário que a situação nos EUA se deu em decorrência da irresponsabilidade fiscal do governo BUSH, e que o ministro da Fazenda MANTEGA melhor faria se colocasse as suas barbas ( mesmo sem tê-las ) de molho, já que o momento é de prudência.

Isso sem falar nas reflexões de CELSO MING e no teor da interessante entrevista de BACHA.

A sensação que a leitura atenta da seção de Economia do Jornal O Estado de S. Paulo nos dá, enfim, é de que a “farra do boi” financeira dos últimos anos, estimulada pelos republicanos norte americanos foi, como quase tudo que eles fizeram no governo, uma grande leviandade, o que seria muito bom – acrescento eu – se o eleitor americano conseguisse entender a tempo.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.