BRINCANDO COM FOGO

Foram os congressistas republicanos mais intolerantes e irracionais que, aparentemente, impediram a aprovação, hoje à tarde, da Lei de Estabilização norte americana. Não é difícil imaginar a estratégia do “quando pior melhor” que os inspira, embora o seu sucesso seja, a meu ver, duvidoso.

Como os EUA têm uma dívida externa imensa, e o dólar ainda seja a principal moeda de reserva no mundo, o endurecimento promovido pela ação desses radicais gerará um certo pânico entre os credores, o que talvez os leve, segundo esses congressistas, a obterem maior colaboração internacional, para que os contribuintes americanos não sejam tão penalizados. E, se tudo der errado – na visão deles – os EUA poderão recorrer, a qualquer momento, ao isolamento completo, o que o seu poder militar incontrastável lhes faculta.

Como não há força supra nacional que controle quer o seu poder militar, quer o seu poder econômico, os congressistas republicanos radicais devem estar esperando que a não aprovação do bailout provoque algum tipo de reação positiva, decorrente do medo que tomará conta das pessoas.

Acho essa posição – quase terrorista – que estou descrevendo ( e que talvez não passe de mera suposição ) muito perigosa, pois os EUA já não são tão poderosos como se tornaram a partir do fim da Segunda Grande Guerra e depois de terem vencido a Guerra Fria. O conflito externo em que os radicais republicanos estão apostando pode, portanto, transformar-se numa radicalização interna, que poderá não beneficiá-los. A crise nacional norte americana pode gerar, ao contrário, o desemprego em massa, como temem o Secretário do Tesouro e o presidente do Fed.

Resta, contudo, uma esperança.

A grande vantagem de um sistema monetizado é a sua capacidade de superar as crises, sem o emprego da força, embora usando severas sanções. Isso significa que, mesmo que os radicais republicanos impeçam a aprovação de um plano geral, eles não conseguirão impedir que o Tesouro e o Banco Central americanos, caso a caso, enfrentem os problemas que surgirem, o mesmo que farão os demais Tesouros e Bancos Centrais ao redor do mundo, inclusive os brasileiros.

Pode demorar mais, ser mais custoso, mas o resultado, no final das contas, será parecido.


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