O VÁCUO DE PODER

Dizem os especialistas que a política não admite vácuos que são logo preenchidos, o que está ocorrendo, agora, a meu ver, com a iniciativa do Senado americano de votar hoje, quarta feira o plano de socorro financeiro que foi rejeitado segunda feira pela Câmara, com algumas modificações.

Raciocinemos por partes: 1 – o plano, embora contenha inevitáveis falhas, parece ser indispensável,; 2 – a recusa da Câmara em aprová-lo foi, portanto, um ato niilista, politicamente irresponsável; 3 – o presidente Bush, por mais que demonstre ter entendido a gravidade da situação ( mesmo porque o próprio dinheiro da família dele deve estar perigando), não é mais ouvido por ninguém, estando inteiramente desmoralizado; 4 – ninguém sabe quem vai ganhar a próxima eleição presidencial, embora vá ser, necessariamente, um senador; 5 – o comando político dos EUA hoje está, mais perto do Senado, do que de qualquer outro local.

Se o Senado aprovar, o bailout, a Câmara dos Deputados ficará isolada, por mais que expresse a opinião de parte da população. A Câmara não terá força, portanto, para ir contra o Senado. Se, ainda assim, tentar ir, a despeito de tudo, o plano poderá entrar em vigor, por meio de uma interpretação jurídica, que conte com o apoio do Poder Executivo, atual e futuro, e da Corte Suprema.

A situação acima descrita – descontados os acréscimos da fantasia – espelha uma situação política interessantíssima, que se desenrola, ao vivo, sob as vistas do mundo inteiro.


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