O VALORISMO E A CRISE NORTE AMERICANA

De todas análises sobre a crise norte americana publicadas hoje no Estadão a que me pareceu mais interessante foi a entrevista do ex-ministro DELFIM NETTO na parte em que ele confirmou a opinião que expressei no texto imediatamente anterior, de que a origem das distorções nos EUA foi a generalização do emprego dos juros flutuantes, o que o entrevistado afirma em dois momentos, ao dizer:

1 – “ Na verdade, no início, o problema se restringia àquelas hipotecas que previam correção por taxa de juros flutuante” ;

2 – “ O grosso do negócio ocorreu em 2006, quando se inventou uma operação em que havia a hipoteca com taxa de juros variável. Com essa operação, a inadimplência cresceu dramaticamente.”

Desde o início da Idade Moderna ( no século XVI) vigem duas doutrinas sobre dinheiro: o nominalismo e o valorismo. As grandes crises monetárias desse longo período decorreram do afastamento do nominalismo ( o que ocorreu, por exemplo, na “Aufwertung” alemã da década de 1920, no emprego da cláusula ouro nos EUA nessa mesma época, na nossa hiperinflação brasileira do final da década de 1980, etc ).

É claro que o abandono do nominalismo monetário vem seguido de várias práticas comerciais e financeiras condenáveis. Na origem das crises, porém, está o valorismo, que se manifestou, no caso dos EUA, pela aplicação extensiva dos juros flutuantes, o que não se fazia no país antes de 1980.

O caminho para restaurar a normalidade monetária, portanto, é o restabelecimento do nominalismo nos EUA, o que o Brasil, de resto, já fez em grande parte, ao promover, em 1995, através da Medida Provisória n. 1.053, a Desindexação da nossa Economia.

O setor imobiliário brasileiro, contudo, cujo lobby tinha arrancado do Congresso uma Lei valorista ( a Lei n. 10.931, de 2 de agosto de 2004 ) corre o risco de quebrar.


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