OS NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

No artigo publicado no GLOBO de hoje, com o título “Som de Sucção”, o ex-diretor do Banco Central, e professor da PUC, ILAN GLODFAJN, adverte que “ o sistema financeiro dos EUA ( e da Europa ) está sugando o capital e o crédito do resto do mundo.”

Todo mundo sabe que, em negócios internacionais, os EUA e a Europa têm uma experiência muito maior do que o Brasil, de modo que o risco de nos darmos mal, daqui para a frente, é enorme.

Além de serem mais espertos, os americanos têm, em funcionamento, um sistema democrático rigorosamente institucionalizado, que os impede, por exemplo, de suprimir instâncias.

Vimos, na semana passada, o trabalhão que tiveram o Tesouro americano e o Fed para aprovar o bailout de US$ 700 bilhões de ajuda aos bancos.

Acompanhamos, pela televisão, a resistência oposta pela Câmara dos Deputados, o que tudo exigiu uma discussão prolongada da Lei, cujo conteúdo os congressistas puderam conhecer, em pormenores, previamente.

Aqui no Brasil, porém, não será assim.

Está sendo editada, hoje, uma Medida Provisória de socorro às empresas exportadoras, que afeta o nosso interesse mas de cujo teor nenhum de nós, nem os nossos representantes no Congresso, tem conhecimento prévio.

O uso de nossas reservas internacionais para financiar os bancos, e uma série de outras medidas muito graves, dependeu de uma rápida decisão de10 ou 20 pessoas no máximo, dentre elas o presidente da República, alguns assessores seus, o ministro da Fazenda , o presidente do Banco Central e os líderes políticos aliados que estavam disponíveis no momento.

Isso significa que enquanto a máquina internacional de sucção de créditos está fazendo um enorme barulho ao começar a aspirar parte da riqueza de vários países, inclusive do nosso, para ajudar na recomposição dos sistemas financeiros ocidentais, nós, aqui no Brasil, estamos tomando uma decisão entre quatro paredes, ignorando todo o Congresso Nacional.

Como a democracia depende do funcionamento do Parlamento, e como as Medidas Provisórias podem impedir a atuação do Congresso Nacional, nos casos verdadeiramente graves, fica absolutamente claro que a consolidação democrática brasileira depende da eliminação, o mais rapidamente possível, do nosso ordenamento jurídico, dessa forma esdrúxula de legislar.


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