A CRISE E SEUS REFLEXOS NO BRASIL

A gigantesca crise financeira internacional de 2008 terá reflexos monetários diferentes nos diversos países, segundo as suas respectivas vulnerabilidades.

Aqui no Brasil o governo terá, a partir deste fim de ano, dois grandes problemas: primeiro, enfrentar a tradicional tendência das empresas nacionais de se alimentarem nas tetas públicas do Tesouro, o que já se prenuncia com os pedidos de auxílio que estão sendo feitos pelos empresários do campo e da construção civil; segundo, com as ameaças de recrudescimento da inflação e da indexação, assunto sobre o qual vale a pena tecer algumas considerações.

A taxa de câmbio do dólar no ano que vem ficará, ao que parece, em torno de R$ 2,00, o que corresponde a uma maxidesvalorização de cerca de 30%, e vai repercutir negativamente nos chamados preços administrados ( como os previstos nos contratos de concessão de serviços ) que estabelecem variações das tarifas segundo o aumento dos custos dos insumos em moeda estrangeira.

Convém lembrar que a indexação brasileira sempre teve uma vinculação estreita com as oscilações da moeda americana, a começar quando o Decreto lei n. 1, de 1965 previu, expressamente, a possibilidade da variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTNs ) segundo as alterações das taxas do câmbio manual do dólar.

A valorização do Real, nesses últimos anos, conteve as pressões para uma reindexação da Economia, situação, contudo, que, em 2009, pode se inverter e talvez venhamos a assistir à uma eclosão da temida espiral preços/salários.

Na área do serviço público o “teto” constitucional será alvo, cada vez mais, do protesto dos servidores , especialmente daqueles que ganham altos vencimentos e subsídios, cujas remunerações, por causa do teto, perderam a gradação hierárquica que um dia tiveram, o que constitue uma ameça à boa organização do trabalho do funcionalismo público.

O governo brasileiro pode ter que pagar caro, portanto, por não ter cuidado, a tempo, de extinguir definitivamente a indexação da vida brasileira. Vai ser muito difícil administrar, numa situação de crise, duas medidas de valor numa mesma ordem monetária.


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