OS BAGRINHOS E A MOEDA ÚNICA REGIONAL

Lembrando do seu passado de experimentado líder sindical o presidente LULA, recentemente, na reunião de chefes do governo do Brasil, da Índia e da África do Sul, profetizou uma “revolta dos bagrinhos” da economia mundial que eu também acho que , mais cedo ou mais tarde, irá acontecer.

O grande problema é como fazer isso, embora uma coisa esteja certa: o dólar não pode continuar mais a ser empregado, pelos países pobres, como um meio de pagamento nos negócios internacionais dos quais os EUA não participem.

Essa questão vai ser discutida, sem dúvida, na próxima reunião de 2ª feita, dia 27 de outubro, em Brasília, de todos os ministros das relações exteriores da América do Sul, para debater a atual crise financeira internacional.

Pode estar distante a criação de uma moeda única regional, do MERCOSUL ou da UNASUL, mas se essa providência não for tomada a tempo, se os EUA continuarem a financiar o seu modelo, e as suas guerras, através da emissão da sua peça monetária nacional, nós estaremos, daqui a pouco –especialmente se JOHN MC CAIN ganhar a eleição de novembro – dando respaldo econômico à matança que os falcões estão querendo praticar no Irã.

O ministro CELSO AMORIM explicou que a reunião da próxima segunda feira se destina não só a trocar informações, como à preparação de uma resposta regional à crise mundial.

Essa resposta só pode ser monetária, que é a forma contemporânea de o mundo se organizar.

Segundo o editorial do Estadão de hoje, sob o título “ Cooperação complicada” , não vai ser nada fácil dispensar o dólar, ou o EURO, nas transações entre os demais países, que não emitem essas moedas. Diz o jornal que apenas 20% das importações brasileiras provém da América Latina. E alerta, ainda, para os problemas que decorrerão da inclusão do “quetzal”, da Guatemala, da “lempira” da Honduras – e de outras moedas nacionais de nomes pitorescos – na cesta de dinheiros que precisará ser fundida numa moeda única. Esse problema, porém, os europeus também tiveram quando decidiram criar o EURO, juntando moedas tão díspares quanto o marco alemão, e o dracma grego, por exemplo.

O fato é que as mudanças estão sendo mais rápidas do que alguém pudesse imaginar há alguns anos atrás e é preciso que as cabeças pensantes ponham os miolos para funcionar, para entender o que está se passando.


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