O QUE SÃO OS TAIS DERIVATIVOS ?

A única coisa que sei ao certo é que os derivativos são uma novidade nos mercados de capitais; no mais, só tenho dúvidas.

A primeira vez que ouvi o termo “derivativo” foi há uns quatro anos atrás, de um jovem advogado, militante na área de bolsas, que disse conhecer os meus trabalhos sobre correção monetária, e referiu-se a esse regime, en passant, segundo me pareceu, como uma forma de derivativo.

Agora, com a crise, quando a palavra caiu na moda, tenho perguntado o que é isso às pessoas do “mercado”, que me falam dos derivativos com muita naturalidade, demonstrando que conhecem bem o seu mecanismo, mas não conseguindo me explicar bem do que se trata, ponderando, apenas, que eles denominam-se assim porque “derivam” da dívida, ou do objeto da dívida.

As operações que envolvem derivativos, ao que me consta, estão ligadas a um valor futuro, mas, segundo creio, não se trata de algo inteiramente aleatório, como as tradicionais especulações com ações na bolsa de valores e com as taxas de câmbio ou de juros.

Outro dia, lendo o livro “Filosofia do direito” de GIANLUIGI PALOMBELLA, deparei-me com o termo “derivacionista” – que não achei no dicionário – que seria, segundo esse Autor, um desvio jusnaturalista, muito comum, que ele descreve, em linhas gerais, nos seguintes termos:

“… o jusnaturalista é de modo geral também um “derivacionista”: de fato, ele não só considera possível conhecer universalmente verdades objetivas ( como pertencentes à realidade da natureza, do ser, dos fatos ) mas destas derivam proposições normativas, preceitos, incidindo, assim, na falácia naturalística, que constitui um indevido salto lógico do ser ao dever ser.”

O derivacionismo, portanto, consistiria em fazer derivar da realidade uma norma, e isso pode ser, de fato, o que acontece com os derivativos.

Seria bom que os analistas e comentaristas econômicos nos explicassem, minuciosamente, de que se trata.

Fica aqui a indagação.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.