EFEITOS DA CRISE INTERNACIONAL

A ordem monetária é uma forma de organizar as condutas das pessoas nas sociedades, similar à ordem jurídica tradicional.

Como é praticamente impossível que surja, no plano do Direito Internacional, um “terceiro sobre as partes”, com competência para exercer o monopólio das sanções – o que seria uma condição essencial para que se pudesse falar numa ordem jurídica internacional válida eficaz – o caminho será tentar instituir um Banco Central para desempenhar esse papel, possibilitando a aplicação de sanções monetárias, não violentas.

Enquanto esse organismo internacional, com competência para emitir, com exclusividade, uma única moeda, não for implantado, o ideal seria criarem-se bancos centrais regionais, obedecendo a um critério de áreas monetárias “boas”. A norma internacional recente, que disciplina a possibilidade de Brasil e Argentina comerciarem em suas próprias moedas, e não em dólar, parece um bom começo nessa direção e poderia estender-se a outros países latino americanos.

O dólar deve deixar de ser um meio de pagamento, e de reserva, internacional, assim como a libra esterlina perdeu esse papel no início do século XX, e esse talvez seja o principal efeito da crise atual, que é diferente, portanto, das anteriores, não porque ela vá representar o “fim do capitalismo”, mas porque pode marcar o fim da hegemonia do dólar e da liderança dos mercados de capitais norte americanos.


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