ISRAEL versus ESTADOS UNIDOS

Lembro-me bem, no início do governo GEORGE W. BUSH, quando ARIEL SHARON, a cada declaração simpática aos palestinos do novo presidente, desembarcava nos EUA e atropelava a Casa Branca, sempre a favor de maior pressão, e de guerras.

Não sei até que ponto o belicismo israelense contaminou os EUA para invadirem o Iraque. Sei, porém, que, com o passar do tempos, os EUA entraram num “buraco” econômico, envolveram-se, diretamente, em duas guerras “sem fim”, e Israel continua lampeiro, muito bem obrigado.

Parece-me coisa da infância, quando a gente atiçava o amigo mais forte a entrar nas brigas, e ficava de fora assistindo.

Agora, o Ministro da Defesa de Israel, EHUD BARAK, numa reunião ontem com a Secretária de Estado CONDOLEEZA RICE, na contramão das tendências pacifistas mundiais (que se instalaram nas mentes das pessoas, assim que OBAMA venceu a eleição ) pediu que os EUA não descartem uma ação militar contra Teerã.

Logo após a eleição a chanceler TZIPI LIVNI advertira OBAMA que conversar com o Irã pode ser um “sinal de fraqueza”.

É verdade que nem EHUD BARAK, nem TZIPI LIVNI têm a capacidade de atropelar o presidente dos EUA que ARIEL SHARON tinha, e que OBAMA não é BUSH; mas a atitude de Israel é a mesma.

O Irã diz que seu programa nuclear não tem fins militares e Israel dispõe de várias bombas atômicas armazenadas em seu arsenal de guerra. Não se trata de uma questão fácil de resolver: mas ela não pode ser resolvida às custas de uma ação militar dos EUA.

É claro que o Irã teme ser bombardeado e está disposto a se defender; e é claro, também, que Israel teme ser destruído, o que, evidentemente, não admite.

Essa situação só tem jeito, contudo, num plano mais elevado, que consiste na volta às discussões e aos programas de desarmamento nuclear.

As guerras tornaram-se assimétricas e encareceram muito. A sua preservação, como forma de dirimir questões internacionais, está ficando cada vez mais difícil, mesmo porque os estragos ao meio ambiente que as guerras trazem já não são aceitáveis para um mundo que se sente à beira de catástrofes ecológicas.

O novo presidente americano tem dito que o programa nuclear iraniano é inaceitável, mas tem deixado, ao mesmo tempo, subentendido, que admite conversar com o Irã sobre o assunto, e essa é a única atitude correta.

Os EUA não devem – e, creio eu, atualmente, nem podem – ceder a essas pressões “sharonianas” de Israel, levadas a cabo por EHUD BARAK e TZIPI LIVNI. Elas não são contrárias, apenas, ao Irã: elas são contrárias aos interesses nacionais permanentes dos Estados Unidos.


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