A REUNIÃO DO G-20

Às vésperas da reunião do G-20 – diz o correspondente JOSÉ MEIRELLES PASSOS, do jornal O GLOBO de ontem – o presidente BUSH decidiu fazer declarações para contradizer as críticas que os EUA têm recebido por parte dos líderes europeus.

Ao falar, no dia anterior, no Manhattan Institute for Policy Research disse BUSH o seguinte:

“ Nossa meta não deveria ser de mais governo. Ela deveria ser de governo mais esperto. Devemos reconhecer que a intervenção governamental não cura tudo. Alguns atribuem a crise à insuficiente regulação do mercado hipotecário americano. Mas muitos países europeus tinham regulações mais abrangentes e experimentaram problemas quase idênticos aos nossos.”

A verdade, porém, é que a Europa está pagando um alto preço por ter importado “ativos tóxicos” dos EUA que, empacotados, não pareciam conter tanta capacidade de destruição como tinham. O problema dos europeus, portanto, foi causado, sim, pela frouxidão das autoridades monetárias dos EUA, que permitiram a criação dos produtos que eles importaram dos norte-americanos, e estavam contaminados.

Quanto à defesa de menor ( ou, se possível, nenhuma ) intervenção do Estado na economia trata-se, a meu ver, de uma tergiversação de BUSH.

Desde o fim da Segunda Grande Guerra, depois que o dólar norte americano substituiu, praticamente, o ouro, como “reserva internacional de valor”, o governo dos EUA tornou-se uma espécie de emissor de uma moeda internacional de fato.

Ao emitir a “moeda” do sistema financeiro internacional o FED dos EUA passou a atuar como se fosse o banco central de um “Estado Monetário” internacional, e é contra isso que os demais membros do G-20 estão protestando.

BUSH não quer que haja mais regulação do sistema financeiro internacional porque isso significará reduzir o poder monetário dos EUA. Ele não está defendendo, portanto, que haja menos governo: ele quer que haja mais governo, desde que o seu país continue “governando” os outros, o que é, porém, inaceitável, porque os líderes financeiros americanos revelaram-se temerários e irresponsáveis.

A disputa que já começou, prosseguirá hoje na reunião do G-20, e vai se prolongar até a posse do novo presidente americano, não é entre políticas mais ou menos ntervencionistas, sobre disciplina versus esperteza: é sobre o papel que, no futuro, os EUA vão ter no sistema financeiro internacional.


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