O SUCESSO DO G-20

A reunião do dia 15 de novembro de 2008 do G-20 – o grupo das vinte maiores Economias do mundo – em Washington tem um significado histórico muito importante.

Os EUA que, até então, concentravam o maior poder monetário mundial, compareceram à reunião enfraquecidos, não só por terem dado origem à atual crise financeira internacional, como por terem sido representados por GEORGE BUSH, cuja política econômica vai ser certamente alterada por seu sucessor, BARACK OBAMA, que não estava presente.

A ideologia da maior regulação dos sistemas monetários– notoriamente defendida pelos líderes europeus e latino-americanos – foi vitoriosa na reunião, o que significa que o prestígio dos norte-americanos, defensores do “fundamentalismo de mercado”, tende a desaparecer.

Os grandes financistas – e o caso clássico é o do escocês JOHN LAW ( 1671-1729 ) – diante de um grande fracasso, deixam, de repente, de ser considerados gênios e passam a ser tidos como verdadeiros estelionatários.

A vitória do G-20, contudo, não quer dizer que a questão monetária internacional vá ser imediatamente solucionada, pois a raiz da sua crise é institucional, e se baseia no fato de que a emissão da moeda, através da qual o Poder Público controla a Economia, ainda é um fenômeno nacional ( salvo no caso do EURO, que é uma moeda supra-nacional).

Para que haja a emissão internacional de uma moeda única – que poderia se denominar “Bancor”, em homenagem a KEYNES – é necessária a criação de um Banco Central Internacional ( o BCI ) que, em conjugação com a ONU, desempenhe uma função de “governo” monetário mundial.

Esse Banco Central Internacional pode ser instituído desde logo – começando, quem sabe, com um acordo preliminar no G-20 – ou decorrer da fusão de vários bancos centrais regionais que venham a ser criados, a exemplo do EURO, em regiões monetárias consideradas “ótimas”.

De qualquer modo, a emissão de uma moeda internacional ajudará a resolver inúmeras questões gravíssimas que o mundo hoje enfrenta, inclusive as guerras e a pobreza extrema.

Dizem que as oportunidades surgem das crises.

Quem sabe se a elevação do G-20 à categoria de uma instância financeira internacional de primeira linha não é o primeiro passo para a futura instituição do BCI para emitir o “Bancor” ?


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