DUAS RETIFICAÇÕES

Num texto recente, intitulado “Uma Utopia”, sugeri que, da atual crise monetária internacional, poderia resultar a compreensão de que poderia haver uma melhor utilização do dinheiro, não mais como repositório de poder aquisitivo ou de valor de troca, mas como “um fator de organização social dos países pobres”.

A reler a “Utopia”, de THOMAS MORUS, percebi que o livro enaltece uma sociedade fechada, na qual o dinheiro é mal visto, diferente, portanto, do modelo que eu gostaria de ver instaurado na ordem internacional.

Por outro lado, deparei-me, hoje, com uma reportagem publicada no Estadão, assinada por seu correspondente em Genebra, JAMIL CHADE, em que somos informados de que os países do mundo inteiro, que já gastaram alguns trilhões de dólares para salvar as instituições financeiras, têm se recusado a fornecer à ONU alguns poucos milhões essenciais para evitar crises humanitárias iminentes, no Congo, no Iraque e na Palestina.

Segundo Sir JOHN HOLMES, chefe do Departamento de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, “estamos pedindo 1% do que foi dado aos bancos apenas nos Estados Unidos.”

Conclui o jornal afirmando que “ para solucionar os problemas de mudanças climáticas, o mundo precisaria investir entre 1% e 2% de seu PIB. Para acabar com a fome, apenas metade do que foi dado para os bancos ingleses, US$ 30 bilhões. Para lutar contra a Aids, apenas US$ 10 bilhões por ano.”

Duas retificações, portanto, se impõem em relação ao meu texto “Uma Utopia”: a primeira, que, embora já se saiba que o dinheiro deve ser usado como fator de organização social das nações mais pobres, os dirigentes dos países ricos e emergentes não parecem querer, ainda, empregá-lo dessa forma; a segunda, que o livro “Utopia” de THOMAS MORUS não é a melhor fonte para nos ajudar a mudar a opinião atual das pessoas quanto ao significado do dinheiro.


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