IGUALDADE MONETÁRIA ENTRE OS POVOS

Qual é a origem da atual crise financeira internacional ?

Na síntese de PAUL KRUGMAN, no artigo do NYT, hoje traduzido pelo Estadão, intitulado “Para não esquecermos”, a explicação para a crise atual é a seguinte:

“Enquanto a bolha imobiliária inflava, os credores ganhavam muito dinheiro emitindo hipotecas para qualquer um que passasse pela porta; os bancos de investimento lucravam ainda mais refinanciando essas hipotecas com a emissão de novos títulos; e os gestores de recursos, que contabilizavam enormes lucros não realizados comprando esses títulos com fundos tomados emprestados, pareciam gênios e eram pagos de acordo.”

Acho essa explicação engenhosa, mas insuficiente: o problema, a meu ver, é o fracasso de um modelo de globalização monetária juridicamente desestruturado e injusto cuja solução deverá ser o emprego do dinheiro como fator de organização social e não mais como “reserva de valor”, para que haja maior igualdade monetária entre os povos.

Creio que ao defender a igualdade não estou sendo marxista, uma doutrina cujas soluções econômicas (diferentemente do que afirmou JOSÉ SARAMAGO numa entrevista recente ) parecem-me inaplicáveis à crise atual.

Considero impossível disciplinar uma Economia cada vez mais complexa, e globalizada, de forma centralizadora, como preconizavam os marxistas. As informações necessárias para as pessoas enfrentarem o seu dia a dia são tantas que é inevitável descentralizar o controle da atividade econômica, o que só é possível fazer através do mercado. É por isso, aliás, a meu ver, que a China, embora não tenha se transformado em um país capitalista ( como dizem alguns analistas de araque ), e continue mais que nunca comunista, optou pelo insólito sistema de “socialismo de mercado”.

Embora não concordando, portanto, com as soluções que muitos marxistas sugeriam (como alguns ainda o fazem até hoje ) para disciplinar a Economia, ao preconizar a igualdade entre os povos estou sendo “esquerdista”.

Com efeito, NORBERTO BOBBIO num livro muito divulgado, “Esquerda e Direita”, concluiu que a direita preza mais a liberdade e que a esquerda se caracteriza por preferir a igualdade. No meu caso, todavia, embora eu pregue a igualdade monetária dos povos, num mercado internacional globalizado, sou a favor do emprego cada vez maior da moeda e, nesse sentido pelo menos, defendo a liberdade ( o que levou o meu amigo ANTÔNIO CARLOS BISCAIA, aliás, numa época, a me denominar um “monetarista de esquerda”).

Na raiz da atual crise financeira, portanto, não está a crise das hipotecas subprime norte americanas, e seus desdobramentos, nem, apenas, o “sistema bancário paralelo” e os “trambiqueiros” de sempre, a que alude PAUL KRUGMAN em seu artigo: está a injustiça do modelo financeiro globalizado o que impõe ao Direito Internacional Público a difícil tarefa de traçar, daqui para diante, os caminhos para a estruturação de uma nova ordem monetária internacional , em que a emissão da moeda adquira um caráter supra nacional, de organização da sociedade, e não mais de repositório de poder aquisitivo ou de valor de troca.


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