HIPOCRISIA & MENTIRA

O (ex ?) presidente BUSH declarou, hoje, numa entrevista à rede de televisão ABC, que o seu maior erro foi ter acreditado nas informações do seu serviço secreto, de que haveria armas de destruição em massa no Iraque, e que ele não estava preparado para enfrentar uma guerra, quando assumiu o poder.

Pura hipocrisia.

O que ele quer sugerir é que as forças de ocupação erraram ao não encontrar as armas de destruição em massa que eram o pretexto da guerra, e a Casa Branca, ao que tudo indica, pressionou a Inteligência para dizer que estavam lá.

Quanto a afirmar que ele não estava preparado para enfrentar uma guerra quando assumiu o poder, trata-se de mais uma deslavada mentira.

BUSH declarou, pelo menos uma vez, e foi filmado declarando isso, que era um “presidente de guerra”.

É verdade que, hoje em dia, é tal a complexidade de uma guerra, que ninguém pode se dizer, de antemão, preparado para ganhá-la. Mas as guerras – salvo se admitir-se a superada tese de que elas podem ser “justas”- têm sido sempre, até hoje, o resultado de uma decisão irresponsável, que só aparece como certa a posteriori, se você for o vencedor.

No caso da guerra do Iraque a irresponsabilidade foi ainda maior.

Além de os EUA, segundo reconhece, agora, o próprio BUSH, não estarem preparados para a guerra – como não estavam para entrar no Afeganistão, e não estariam para bombardear o Irã, como pretenderam fazer em 2007 – a sua invasão foi fruto de uma deliberada “armação”, pela qual os atuais membros do governo americano deverão, mais cedo ou mais tarde, responder perante os Tribunais.

Essa é, por sinal, uma das boas coisas da democracia: basta esperarmos, agora, um pouquinho por isso, até o dia 21 de janeiro de 2009.


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