INCONFIABILIDADE DO REAL

Na coluna de hoje do Estadão, intitulada “A incógnita da inflação”, CELSO MING enfrenta os dois principais problemas específicos atuais do Brasil, o câmbio e a inflação, que têm reflexos evidentes nas políticas públicas que devem ser seguidas para podermos enfrentar, adequadamente, as consequências internas da crise financeira internacional.

Segundo a exposição didática de MING os três fatores que estão levando à desvalorização do Real são os seguintes: a ) – perda de receitas com as exportações; b) – remessas extraordinárias feitas pelas filiais das empresas estrangeiras e c) – conversão de reais em dólares pelos fundos de hedge.

No tocante à inflação, ele identifica dois motivos para a inflação cair, e um para ela subir. Puxarão a inflação para baixo: a) – a contenção da demanda no mercado interno e b) – queda ou estabilidade dos preços das matérias primas. Em contrapartida, o câmbio em alta deve elevar a inflação, pois “ se houver maior desvalorização do Real os preços internos podem sofrer impacto.”

O câmbio e a inflação, portanto, não são questões isoladas, mas interagem negativamente, sendo necessário identificar o que há de comum nesses dois problemas, que denotam a atual debilidade da moeda nacional.

Há cerca de três meses atrás era difícil dizer que o Real era uma moeda fraca, pois ele se valorizava, dia a dia, perante o dólar e estava-se esperando que ambos chegassem, em breve, à paridade – como a que essas moedas tinham tido em 1994/1995. Grandes empresas nacionais, por sinal, como a SADIA, a VOTORANTIM e a ARACRUZ perderam alguns bilhões ao apostarem que a tendência de alta do Real era inexorável e valia a pena, por isso, aplicar em derivativos.

Agora se vê, claramente, que o Real não é, ainda, uma moeda confiável.

Aliás, se não fosse a nossa mania de grandeza, a dimensão das taxas de juros brasileiras já deviam estar sendo consideradas como manifestação da fraqueza da nossa moeda, não tendo sentido dissociarmos os juros e o dinheiro, como se a intensidade dos primeiros não fosse a demonstração da tibieza do último.

Temos, pois, que dar resposta à seguinte indagação: porque o Real não é confiável ?

Como nas antigas fitas em série, vamos ver amanhã, no próximo capítulo.


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