FALTA UM PANO DE FUNDO NOMINALISTA

A entrevista de ontem, à televisão, do Ministro do Planejamento, foi assustadora, na medida em que ele defendeu, oficialmente, a elevação da inflação, como uma forma de preservar o crescimento econômico.

Disse PAULO BERNARDO, grosso modo, que uma inflação de 6,5% em 2009 não será boa, mas que uma inflação, um pouco abaixo desse nível, de 6% ( por exemplo ) pode ser aceitável, desde que se mantenha um crescimento elevado, pois o importante é assegurar o desenvolvimento e, consequentemente, o emprego e a renda do trabalhador.

A ilusão do Ministro consiste em acreditar que é capaz de permitir a elevação da inflação num primeiro momento para, em seguida, impor a sua redução, como se estivesse no controle da situação.

O problema brasileiro não é, apenas, o risco da inflação: é o perigo da indexflação, que é da volta da correção monetária para permitir ao Fisco, aos empresários e aos trabalhadores “conviver” com a inflação.

Diferentemente do que ocorre nos EUA e na Europa, que conseguem atuar sobre um cenário fixo e confiável, o nosso sistema financeiro ainda não foi desindexado, o que atribui às taxas de câmbio e às taxas de juros uma relevância muito maior do que elas teriam, normalmente, em outras economias, em que prevalece o princípio do valor nominal.

Acredito que o Banco Central, na próxima reunião do COPOM, ainda vá resistir às pressões que estão sendo feitas para que baixe as taxas de juros e as mantenha no mesmo nível atual. Creio, também, que os dólares das nossas reservas continuarão a ser empregados para tentar conter a depreciação do Real.

O grande problema é que isso não vai adiantar muito, e devemos ingressar em 2009 num clima de grande confusão monetária.


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