ROGOFF E A INFLAÇÃO

O ex- economista chefe do FMI e atual professor de Economia e Medidas Públicas na Universidade de Harvard, KENNETH ROGOFF, em artigo hoje traduzido pelo Estadão, intitulado “A inflação é mal menor”, propõe que os maiores bancos centrais do mundo “continuem a imprimir dinheiro para pagar a dívida pública”, como uma forma de elevar a inflação, temporariamente, nos seus respectivos países para um nível de aproximadamente 6% ao ano e, com isso, tentar remediar a grave crise monetária instalada na Economia internacional.

Ele reconhece que “ a inflação é uma maneira injusta de reduzir com eficácia todas as dívidas não indexadas da economia” mas, ainda assim, ela “seria uma ajuda, e não um obstáculo”, concluindo o seu artigo com as seguintes palavras:

“ Serão necessárias todas as ferramentas conhecidas para resolver a crise financeira atual, que parece ser do tipo que só ocorre uma vez a cada cem anos. O medo da inflação, quando visto no contexto de uma possível depressão global, é como o medo de contrair sarampo quando o verdadeiro risco é o de ser contaminado pela peste.”

Esse discurso contém alguns conhecidos cacoetes dos textos de divulgação econômica, tais como tratar os Estados nacionais como se fossem organismos naturais, sujeitos a sarampo e a peste.

O Estado nacional não é um corpo humano, que exista na natureza, mas uma ordem jurídica, criada pelos homens e pelas mulheres que vivem em sociedade, e a comparação feita pelo professor ROGOFF não passa de uma surrada metáfora.

Por outro lado, vige, atualmente, no Direito Internacional Monetário, o princípio da estabilidade dos preços que, juntamente com o principio do valor nominal, serve de guia para a emissão das moedas que circulam nos principais países do mundo. Os bancos centrais existem, precisamente, para assegurar a obediência a esses princípios.

O que professor ROGOFF está propondo, pois, em seu artigo é a desobediência às normas do nominalismo e da estabilidade dos preços, que são conquistas culturais da Humanidade, a que chegamos depois de séculos de elaboração na Teoria Monetária.

Para ele, no fundo, os bancos centrais são instituições desnecessárias, bastando haver Casas da Moeda que atuem como indústrias para imprimir peças monetárias destinadas a produzir inflação.

A sugestão do professor KENNETH ROGOFF, além de teoricamente errada, parece-me irresponsável.


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